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sábado, 12 de maio de 2012
Para mercado, discurso de Tombini sugere corte maior na Selic
Alexandre Tombini, presidente do BC, ontem no Rio, em seminário sobre
metas de inflação: piora no cenário externo
Mensagens importantes foram transmitidas pelo presidente do Banco
Central, Alexandre Tombini, em discurso de abertura do Seminário Anual de Metas
para a Inflação, ontem, no Rio. Ele chamou a atenção sobre as várias mudanças
produzidas no pós-crise global para os Bancos Centrais, na condução da política
monetária, e a avaliação dessa nova fase alertou alguns agentes do mercado.
Ressaltou a necessidade de maior transparência na comunicação dos Banco
Centrais, para evitar interpretações extremas e mencionou a "grande
variância no cenário internacional", que piorou substancialmente nas
últimas semanas.
Trechos do pronunciamento foram interpretados como um sinal de que o
Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 30, pode deixar de lado a
"parcimônia" que está na última ata, e baixar a Selic em mais 0,75 ponto
percentual, para 8,25% ao ano.
Tombini disse que a crise deixou clara a necessidade de os Bancos
Centrais serem menos herméticos, mais transparentes, na sua comunicação. Alguns
BCs, antes mesmo da crise, já haviam migrado para uma comunicação mais explícita
sobre a evolução quantitativa projetada de suas taxas básicas de juros.
"Não se trata apenas de fortalecer os mecanismos de formação de
expectativas dos agentes, mas também de evitar que interpretações com variância
excessiva possam afetar o funcionamento dos mercados", explicou.
O agravamento mais recente das condições da economia global está no
centro das preocupações do BC. "Basta observar a rapidez com a qual se
modificou nas últimas semanas a perspectiva de crescimento nos EUA, a
probabilidade de resolução da crise na zona do euro ou até os dados, por vezes
contraditórios, sobre o pouso suave na China", disse ele.
Diante de grandes incertezas, os Bancos Centrais têm procurado ser mais
explícitos em suas comunicações, reiterou o presidente do BC, salientando que
essas vêm "acompanhadas com uma repetida mensagem de que esses indicativos
sempre estão condicionados ao conjunto de informações disponível a cada
momento". Ocorre que atualmente essas informações estão mais voláteis, o
que resulta na necessidade da autoridade monetária ajustar-se com maior
frequência aos desdobramentos do cenário existente, ponderou.
"Ou seja, ao benefício de uma maior transparência na comunicação se
contrapõem mudanças mais frequentes nas sinalizações. Mas não penso que por
conta disso vamos ou devemos retornar ao hermetismo do passado ou a um estilo
de comunicação que permanece em generalidades e perde em precisão. Nesse
momento de transição, esse 'trade-off' apenas tende a acarretar um custo
reputacional um pouco maior para os Bancos Centrais."
Essas declarações levaram agentes do mercado à leitura de que o Copom
pode prosseguir no corte maior da Selic, de 0,75 ponto percentual e não 0,5
ponto percentual como induzia a última ata.
A Europa voltou para a beira do abismo; a perda de dinamismo da economia
chinesa ameaça o crescimento daquele país e os últimos dados de comércio
exterior, com queda pronunciada da taxa de crescimento das exportações e das
importações, foram especialmente ruins. Os Estados Unidos não reagem e ontem o
presidente do Banco Central da Holanda, Klaas Knot, falou em "década
perdida" para a Europa.
Tombini discorreu, também, sobre a complexa relação entre estabilidade
de preços e estabilidade financeira e da revisão sobre a caixa de ferramentas
dos bancos centrais no debate pós- crise. Disse que o regime de metas para a
inflação continua sendo o melhor arcabouço de política monetária, mas que isso
não impede aperfeiçoamentos a partir das lições da crise. "Como, por
exemplo, incorporando nos modelos macroeconômicos informações sobre o segmento
financeiro, inclusive sobre preços de ativos, bem como sobre política
fiscal", completou.
Dos debates surge
"um pragmatismo", dois instrumentos para dois objetivos. A política
monetária deve assegurar a estabilidade de preços e as políticas micro e
macroprudenciais devem assegurar a estabilidade financeira. "Contudo, não
podemos ignorar que suas ações, seus objetivos e seus impactos apresentam
fortes interconexões."
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