segunda-feira, 18 de abril de 2011

Decisão de juros pelo Copom concentrará atenções do mercado nesta semana na agenda doméstica

Em semana mais curta por conta do feriado nacional, o principal destaque na agenda doméstica será a
decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima quarta-feira. Acreditamos que
a taxa Selic deverá ser elevada em 25 pontos base (pb), dando sequência ao ciclo de aperto da política
monetária, mas reduzindo o ritmo de elevação dos juros observado nos encontros de janeiro e março
(50 pbs). Apesar da piora recente da infl ação, avaliamos que prevalecerão sinais de moderação já em
curso do ritmo de expansão da atividade econômica e a contribuição da apreciação cambial superior
ao esperado. Também deverão ser monitorados com atenção os seguintes indicadores: (i) geração
de emprego formal de março pelo Caged, na terça-feira e (ii) IPCA-15 de abril na quarta-feira, para o
qual esperamos alta de 0,73%, e que deverá trazer núcleos menos pressionados do que nas leituras
anteriores. Vale também chamar atenção para o resultado da arrecadação de impostos e contribuições
de março, na terça-feira, divulgado pela Receita Federal. Na agenda internacional, as atenções deverão
se voltar para os PMIs tanto do setor manufatureiro quanto de serviços referentes a abril, na terça-feira,
para a Zona do Euro e Alemanha. Em seguida, destaque para a pesquisa IFO de sentimento econômico
na Alemanha e para o indicador de atividade industrial do Fed Filadelfi a, nos EUA, ambos referentes a
abril na quinta-feira.

Boletim diário

Novos ajustes das expectativas para a infl ação e taxa de câmbio foram destaques do Relatório
Focus da última semana
Na mesma direção da semana anterior, o Relatório Focus referente à semana até 15 de abril trouxe novo
ajuste para cima das expectativas de infl ação para este ano, somado à queda da estimativa para a taxa
de câmbio para este e o próximo ano, conforme divulgado há pouco pelo Banco Central. A projeção para
o IPCA deste ano passou de 6,26% para 6,29%, ao passo que as expectativas para 2012 mantiveram-se
em 5,0%. As expectativas de crescimento do PIB, por sua vez, permaneceram estáveis em 4,0% para
2011, e mostraram ligeiro aumento para 4,25% em 2012. Para a taxa de câmbio, as projeções moveramse
no sentido de maior apreciação, passando de R$/US$ 1,68 para R$/US$ 1,65 em 2011, e de R$/US$
1,72 para R$/US$ 1,71 em 2012. Por fi m, as expectativas para a taxa Selic para 2011 fi caram estáveis
em 12,25%, ao passo que mostraram nova elevação para 2012, passando de 11,50% para 11,75%.

Fonte: Bradesco


terça-feira, 12 de abril de 2011

A China é aqui - Por Ricardo Amorim



Nos EUA, são vendidos hoje cinco vezes menos imóveis do que há quatro anos. No Brasil, é impossível ir a uma cidade e não encontrar um mar de canteiros de obras

Há mais de 30 anos, a China cresce a um ritmo de quase 10% ao ano, causando inveja e alterando toda a ordem econômica global.
No Brasil, a crescente importância da economia chinesa é visível a olhos nus. Examine os produtos à sua volta neste exato momento e encontrará as inevitáveis etiquetas de made in China. Desde 1999, a corrente de comércio – soma de exportações e importações – entre Brasil e China saltou de US$ 1,5 bilhão para mais de US$ 55 bilhões. 
De carona na fome chinesa por nossas matérias-primas e na sua oferta abundante de capitais baratos para financiar investimentos e consumo no País, o Brasil dobrou seu ritmo de crescimento nos últimos sete anos para cerca de 5% ao ano. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm sustentado taxas de expansão bem maiores. Vários setores, em particular o imobiliário, o automotivo e o agronegócio crescem em ritmo de dar inveja até aos chineses. 
Este crescimento acelerado colocou o Brasil em posição de destaque. Na última década, o País passou de quinto a segundo maior exportador do agronegócio no mundo, multiplicando por seis o superávit comercial do setor, passando de US$ dez bilhões a mais de US$ 60 bilhões. O crescimento do interior do País não deixa nada a dever ao dragão asiático. 
No setor automotivo, a história não é diferente. De 2003 para cá, as vendas de automóveis no País aumentaram quase 150% – sustentando uma média anual de crescimento de quase 14% –, passando de 1,4 milhão a 3,5 milhões de unidades. O Brasil pulou de oitavo para quinto maior mercado de automóveis no planeta. Se o crescimento continuar parecido até a Copa do Mundo, teremos o terceiro mercado mundial de automóveis. Ainda assim, o número de automóveis por habitante no Brasil será três vezes menor do que nos EUA.
Quem você acha que continuará crescendo? 
A importância do Brasil para as montadoras é também cada vez maior. Há anos, a Fiat já vende mais automóveis aqui do que na Itália. Talvez ainda neste ano, a Volkswagen venda mais automóveis no Brasil do que na Alemanha. Para a GM, o Brasil já é o terceiro mercado consumidor. Aliás, o primeiro é a China – que você achava ser o país da bicicleta – onde a venda de automóveis era 1/10 da dos EUA há dez anos, mas há dois anos tem superado o tradicional país do automóvel. 
A mesma coisa acontece no setor imobiliário. Enquanto a contração nos mercados americano, europeu e japonês parece não ter fim, o mercado brasileiro vive o melhor momento da história. Nos EUA, são vendidos hoje menos imóveis do que há 50 anos, cinco vezes menos do que há quatro anos. No Brasil, é impossível ir a uma cidade e não encontrar um mar de canteiros de obras. A alta de preços dos imóveis ao longo dos últimos anos foi causada pela abundante oferta de crédito e consequente multiplicação dos compradores. 
Aliás, é a expansão de crédito e renda nos países emergentes, onde o endividamento ainda é baixo, que deve manter esse quadro inalterado na próxima década, apesar de inevitáveis solavancos ao longo do caminho. 
Você anda preocupado com as recentes manchetes comparando a alta de preços de imóveis no Brasil com a bolha imobiliária americana? Saiba que o crédito bancário ao setor imobiliário no Brasil não chega a 4% do PIB, 30 vezes menor do que nos EUA e 45 vezes menor do que na Suíça. Durma tranquilo em seu apartamento novo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Reunião Matinal 06/04/2010

Ontem, o principal índice das ações brasileiras fechou em alta pelo sexto pregão consecutivo, mas não se sustentouacima de 70 mil pontos diante da falta de vigor das bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou o dia com valorização de0,19% aos 69.837 pontos e com volume negociado de R$ 7,03 bilhõesÉ fraca a agenda dos mercados nesta quarta-feira, aqui e nos EUA. No âmbito americano, o mercado esvaziou as apostas
de um aperto monetário no curto prazo, depois do discurso de Bernanke na segunda-feria à noite. A Ata do FED, por suavez, mostrou um comitê dividido - otimista com a recuperação econÔmica, mas preocupado e incerto com o rumo que ainflação pode tomar nos próximos meses. Para hoje, a agenda traz como destaque um discurso do presidente do FederalReserve de Atlanta, Dennis Lockhart, no encerramento da Conferência de Mercados Financeiros promovida pela instituição,às 13h (de Brasília).No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) lança dados da safra agrícola brasileira, contidos no Levantamento Sistêmico da Produção Agrícola. O órgão também divulgará a Pesquisa Industrial Mensal, mostrando a
produção física por regiões no País. No mercado asiático, o índice Nikkei fechou mais um pregão em queda, ainda com a aversão ao risco em foco, em decorrência da crise nuclear. Na China, após a elevação da
taxa de juro básico, os índices acionários registraram alta após o feriado que fechou a bolsa de Xangai nos
dois primeiros dias desta semana e a de Hong Kong na terça-feira. Os índices futuros norte-americanos voltam a se firmar em alta nesta manhã, em meio às apostas de que o Federal Reserve deverá manter o juro inalterado ao longo de 2011. Na Europa, as principais bolsas europeias tentam se firmar no azul nesta manhã, puxadas pelas varejistas e mineradores, enquanto os bancos puxavam para o campo negativo. Dentre as divulgações desta manhã, estava o PIB referente ao quarto trimestre de 2010 da Zona do Euro, que mostrou expansão de 0,3% em relação ao trimestre anterior, em linha com as expectativas.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Reunião Matinal 05/04/2011

Ontem, o pregão foi morno e os mercados trabalharam sustentando os lucros da última sexta-feira. Na Europa as bolsas fecharam sem direção comum e perto da estabilidade. Nos EUA, os principais índices ficaram em alta. No Brasil, o ego do investidor ficou inflado após a agência de classificação de risco Fitch elevar a nota do País em um grau. O Ibovespa teve alta de 0,63% aos 69.703 pontos e com volume negociado de R$ 5,80 bilhões. Para hoje nos EUA, a agenda de indicadores traz como destaque dados sobre a atividade do setor de serviços. Além disso, tem a divulgação, às 15h (de Brasília), da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve ocorrida em 15 de março. A ata deverá manter o tom otimista em relação à recuperação da economia americana, corroborado pelos indicadores recentes dando conta que o nível de atividade continua ganhando tração (com exceção do ainda debilitado mercado imobiliário). O documento do FOMC ainda deverá trazer comentários em relação à trajetória atual das commodities e do petróleo e a manutenção do cronograma do Quantitative Easining 2. Por aqui, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos sócio-econômicos) divulga a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, avaliando o valor do salário mínimo necessário para a manutenção de uma família, de acordo com o valor dos produtos que compõem a cesta básica. Dentre as notícias nesta manhã, o Banco do Povo da China elevou as taxas de juros em 0,25 ponto porcentual, em mais uma tentativa de controlar a inflação. Aqui, o BC anunciou a obrigatoriedade de operação de câmbio simultâneo nas renovações e repactuações de empréstimos externos. Na Europa, a agência de classificação de risco Moody's anunciou o corte do rating soberano de Portugal em três níveis, de A3 para Baa1, além de deixar a nota em revisão com a possibilidade de um novo corte, em função das crescentes incertezas políticas, econômicas e fiscais para o país. Refletindo esse quadro, as bolsas na Europa e os futuros nos Estados Unidos operam em queda. Na Ásia, o índice Nikkei (Tóquio) encerrou o pregão desta terça-feira em baixa refletindo as preocupações acerca da crise nuclear que se instaurou após o desastre natural do mês anterior, enquanto as bolsas na China estiveram fechadas para negociações nesta sessão, devido a um feriado nacional.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Reunião Matinal04/04/2011

Sexta-feira, a criação de vagas de emprego nos EUA acima do esperado em março animou a rodada de negócios deste primeiro de abril. Sem pegadinhas, os investidores aproveitaram o ambiente favorável e foram às compras. Na Europa, as bolsas fecharam no maior patamar em mais de três semanas. Nos EUA, os índices acionários ficaram no azul. No Brasil, o Ibovespa acompanhou o entusiasmo e também acabou no campo positivo. A segunda-feira tem poucos eventos previstos. Internamente, o BC divulga a pesquisa Focus, e a Fipe comenta o IPC. Nos EUA, o presidente do Fed, Bem Bernanke, discursa, assim como o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart. Sobre os mercados hoje, as bolsas de valores da Ásia atingiram o maior nível em quase três anos nesta segunda-feira, depois de fortes dados de emprego dos Estados Unidos alimentarem
o otimismo sobre a economia mundial. Na Europa e nos Futuros de Wall Street, os principais índices operam no campo positivo nesta manhã, no aguardo de uma semana que promete ser bem movimentada. Enquanto nos EUA as expectativas quanto ao timing de um aperto monetário dividem o comitê do FED, na Europa, o BCE deve elevar o juro nesta semana, pela primeira vez em quase três anos.

A estrutura de capital austríaca e a macroeconomia: uma simbiose impossível

Considero um erro metodológico, e um prejuízo ao avanço do estudo da ciência econômica, a união dos princípios da mainstream economics (ME) com os da escola econômica austríaca (EEA), praticado por alguns dos seus defensores, dentro do campo da teoria de capital[*].  Ignoram a dimensão do disparate das suas pretensões ao colocar, no mesmo prisma, conceitos totalmente distintos do ponto de vista da ME e da EEA.
A diferença entre as escolas começa com o próprio conceito de equilíbrio econômico, mas se estendem ao do tempo, do capital, do investimento, da poupança, das taxas de juros e da renda. Os 'austríacos', a começar, não trabalham com situações de equilíbrio, mas com a economia em constante desequilíbrio.  Ora são as quebras de safras, ora o aumento da demanda por um determinado produto, ora uma nova mercadoria que surge no mercado, entre tantos outros desbalanceamentos econômicos.  Os empreendedores mais atentos, que conseguem perceber os desequilíbrios antes dos demais, entram comprando, vendendo, produzindo ou investindo.  São ações movidas pelo lucro, mas que ajustam os desequilíbrios.  Aliás, quanto mais inventiva for uma economia, mais desequilíbrios ela tenderá a gerar e, consequentemente, mais ganhos tenderá a propiciar aos empreendedores mais hábeis, sem contar que a maior parte dos desajustes estão relacionados à estrutura de capital.
Não é para menos que a estrutura de capital, devido à sua complexidade, é o local onde surgem as divergências mais acentuadas entre a ME e a EEA.  Enquanto o tempo é uma categoria econômica para os austríacos, é negligenciado pelos defensores da mainstream economics, dando, por isso, uma interpretação unidimensional ao capital.  Encobrem os seus aspectos multidimensionais, como a dimensão da sua estrutura, formada por vários estágios de produção, responsáveis pela fabricação dos bens intermediários (prédios, máquinas, equipamentos, matérias prima, insumos, entre outros) que vão integrar mais adiante a fabricação dos bens de consumo finais.  
Quanto mais distante estiver cada estágio de produção do consumo, dado pelo tempo que leva da fabricação do bem intermediário até a venda dos bens de consumo final, maior será o juro implícito do negócio.  Como a ME não trabalha com uma estrutura de capital multidimensional, desconsidera as funções específicas do tempo real, dos custos, dos juros, dos lucros e riscos integrados em cada etapa de produção.  Se conhecessem todo esse intricado processo, talvez desistissem de somar o capital e de apresentá-lo de forma agregada, na tentativa de trabalhar com um conceito econômico - diga-se de passagem! - burro: a média.
Outra consideração importante dentro da teoria de capital austríaca é a impossibilidade de separação do conceito de investimento do de poupança, considerada coisas distintas pela ME: seus líderes desconhecem que a essência de ambos é a mesma.  O capital, no seu longo trajeto da fabricação dos bens intermediários até os bens de consumo finais, gera renda, principalmente salários, juros e lucros.  Era isso que Jean Baptiste-Say queria nos dizer na sua célebre frase: "é a oferta que gera a demanda".  A poupança é a renda gerada e não gasta em bens de consumo.  Contrário ao que a ME prega, a poupança não fica ociosa.  Ela se mantém dentro do sistema econômico, investida na estrutura de produção intermediária (prédios, máquinas, matérias-primas, insumos e na própria mão-de-obra dos diversos estágios de produção, assim como na compra de bens de consumo duráveis) ou conservada como um poder de compra temporário.
Ainda que possa haver boa intenção dos "macroeconomistas mainstream", as tentativas de agregação desse complexo sistema não têm nexo verdadeiramente econômico. São elucubrações tão irreais quanto os "faz de conta" dos socialistas e estatistas na elaboração do cálculo econômico fora do mercado, criticada por Ludwig Von Mises, com uma analogia dos jogos de guerra, praticados por uma criança (ME), e uma verdadeira guerra, enfrentada em campo de batalha por um soldado (EEA). A agregação, da mesma forma, fornece resultados utópicos, irreais, sem validade teórica pelos mandamentos da EEA.  Logo, não se trata de "purismo acadêmico", como alegam os macroeconomistas austríacos, mas uma batalha contra algo vazio ou com custos maiores do que benefícios.
Friedrich Von Hayek, a propósito, o maior mentor positivista da Teoria do Capital Austríaca e dos ciclos econômicos, faz um alerta no Prefácio do seu "La Teoria Pura del Capital", ao comentar que o intento de sistematização dentro da teoria de capital abre lacunas que deixam o conteúdo praticamente inútil para as análises complicadas.  E os erros se acentuam nos estudos mais avançados dos ciclos econômicos.  As agregações escondem que os excessos monetários ou creditícios, que levam aos 'booms', afetam os diversos estágios de produção de maneira heterogênea.  Nos 'busts' (recessões), então, quando a atividade econômica para se recuperar precisa, antes, do desmanche dos investimentos e empregos malfeitos, a agregação não se torna apenas nula e inútil, mas fortemente nociva, abrindo o espaço para as incursões da ME, que acredita ser possível apagar o fogo usando mais gasolina (mais excessos monetários).
Ao passarmos, então, do estudo positivista da teoria do capital para o praxeológico, o erro das agregações e das diagramações sofisticadas se agiganta.  Ludwig Von Mises, no seu "A Ação Humana", comenta que: 
A Economia não é, como os ignorantes positivistas repetem a toda a hora, atrasada pela falta de mensuração quantitativa. Ela não é 'quantitativa' porque não trabalha com dados ou variáveis constantes. 
Elas obscurecem a análise das ações empreendedoras dos indivíduos, feitas geralmente na busca da redução dos custos, dos prazos, da inovação tecnológica, dos novos meios de se fazer as escolhas, da melhora da qualidade dos bens de capital e do produto final.
A inutilidade dos resultados das agregações dentro da teoria de capital e dos ciclos econômicos torna-se saliente quando se analisa passo a passo as ações dos indivíduos. O maior custo das agregações, como se depreende, recai no aprendizado econômico.  Os fundamentos praxeológicos deram força científica ao estudo da economia e das demais ciências sociais.  Qualquer empecilho que venha a enfraquecer ou tolher a análise do emaranhado social e econômico dentro do campo da ação humana e da sua categoria universal, no tempo e no espaço, deve ser suprimido sob qualquer pretexto.
_______________________________________________
[*] Roger W. Garrisson, "Time and Money: The Macroeconomics of Capital Structure" (Veja o PowerPoint em português), traduzido e simplificado em "A Macroeconomia Da Estrutura De Capital", por Ubiratan Jorge Iorio (Fev/2010)

Alfredo Marcolin Peringer é economista e professor de economia e finanças. Possui vários trabalhos e artigos publicados em revistas e jornais, todos eles dentro da filosofia econômica e dos métodos proferidos pela escola austríaca.  Já publicou dois livros: Monetarismo vs Keynesianismo vs Estruturalismo - Inflação, Desemprego e Taxas de Juros - 1985 (Editora Globo- RJ), eEconomia Heterodoxa vs Economia Ortodoxa - Os Planos Econômicos Brasileiros - 1989 (Editora Ortiz - RS).  Seu website:http://www.professorperinger.blogspot.com/

Mulheres aderem mais que homens à previdência privada


O porcentual de aumento de participação das mulheres nos planos de previdência privada superou, pela primeira vez, o dos homens. A constatação é de um estudo realizado pela empresa de previdência privada Brasilprev, que analisou o perfil dos seus 1,3 milhão de clientes ao longo dos últimos cinco anos.
A participação das investidoras nos planos de previdência cresceu 47% nos últimos cinco anos - de 380 mil para 580 mil. Os homens, por sua vez, aumentaram a participação em 33% (de 553,8 mil para 738 mil) entre o início de 2006 e o fim de 2010.
Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista especializada em finanças comportamentais, explica que, além do aumento da renda que estimula o início dos investimentos, há o fator instintivo das mulheres, o que torna investimentos de longo prazo e com baixo risco (como é o caso da previdência) mais atraentes para elas. "Mulheres são mais conservadoras por natureza. Isso porque pensam no futuro. Elas, em geral, têm necessidade de constituir família. Querem casar e ter filhos", explica.
O interesse no investimento de longo prazo é detectado no estudo da Brasilprev. João Batista Mendes Angelo, superintendente de produtos da empresa, diz que 53,2% das clientes optaram pela tabela regressiva do Imposto de Renda - nessa modalidade, o porcentual de IR que incide sobre o investimento cai no decorrer do tempo. "Quem opta pela regressiva tem a intenção de manter o investimento por mais tempo para pagar menos imposto", explica Angelo. Ele diz ainda que o índice de adesão à tabela regressiva é de 49,4% entre os homens. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mulheres já comandam maioria das novas empresas no Brasil


As mulheres já comandam a maioria das novas empresas no Brasil. E elas não têm medo de enfrentar o desconhecido.
Competentes e comprometidas com o trabalho, elas estão em todos os setores de atividades dos pais. 
O mundo virtual, por exemplo, é hoje um imenso campo para os negócios, onde os grandes empreendedores ocupam espaço rapidamente. Mas os pequenos não ficam para trás e elas desbravam fronteiras na rede de computadores. 
Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, um negócio que deu certo graças à persistência de Carmen Rojas. 
Depois de trabalhar 10 anos com carteira assinada, ela resolveu abrir o próprio negócio. Mas por onde começar?
Primeiro apostou em material de limpeza, depois de construção, entre outros, até que em 2000, aos 50 anos, decidiu trabalhar com internet. 
Mesmo sem saber nada de computadores, ela foi atrás, se informou, aprendeu. Queria montar um site de busca de negócio para os pequenos, já que só os grandões sabiam disso. 
O trabalho foi de formiguinha. Carmen contratou estudantes para bater de porta em porta e recolher cartões empresariais. Ela reuniu assim 2.000 possíveis clientes. Foram três anos na informalidade e R$ 300 mil investidos em cursos, equipamentos e tecnologia. 
Hoje mais de 20 mil clientes, entre micro e pequenas empresas se hospedam no site criado por Carmen para viabilizar seus negócios. Fonte: Record