sábado, 26 de março de 2011
Juros mais altos, menor crescimento
Não são nada boas as perspectivas econômicas da Europa. O Reino Unido luta contra uma inflação que não cai – atingiu 4% em janeiro e 4,4% neste mês – e permanece acima da meta do país de 2%. Analistas, inclusive, afirmam que é hora do Banco da Inglaterra elevar os juros que desde 2005 permanecem estáveis em 0,5% ao ano.
Mas, obviamente, elevar juros agora terá um impacto negativo na fraca recuperação econômica. Uma questão que não é só do Reino Unido, mas de todos os países da zona do euro. A média inflacionária destes países é de 2,4% de taxa inflacionária em fevereiro, já acima da meta de 2%.
O Banco Central Europeu (BCE), inclusive, já sinalizou a subida dos juros. Desde 2008, o bloco os mantém a 1%. As consequências podem ser perversas para todos, principalmente, para economias mais debilitadas como a da Grécia e da Espanha.
Agora, não bastasse as dificuldades já existentes no front econômico europeu, Portugal está em vias de uma crise política porque a oposição recusa-se a apoiar os cortes de gastos anunciados pelo governo português. Resultado: o primeiro ministro José Sócrates ameaçou renunciar caso o plano não seja aprovado.
Mais juros, menor crescimento e menor arrecadação
O plano, inclusive, contou com a ajuda do BCE para ser desenhado e garantir ao país, pelo menos o pagamento de suas dívidas ao mercado. A situação não é fácil para o governo português que luta para não buscar socorro nos organismos do sistema financeiro, como o FMI. Essas são as pautas urgentes da reunião de amanhã da União Européia que girará em torno de propostas para livrar a zona do Euro da crise da dívida.
O Brasil deve ficar esperto diante do panorama europeu de juros mais altos, menor crescimento, agravamento da crise em Portugal e Espanha. A sinuca de bico todos sabem: mais juros significa mais custos do serviço da dívida, menor crescimento e menor arrecadação. Logo, mais juros anulam todo esforço de corte de gastos e de salários. Fonte: Correio do Brasil
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