quarta-feira, 30 de março de 2011

Mercado eleva estimativa de inflação para 6% neste ano, mas reduz Selic

A pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira, 28, mostra mais uma rodada de deterioração das expectativas de inflação do mercado financeiro. Para 2011, a mediana das previsões para o IPCA subiu de 5,88% para 6%, enquanto que para 2012, passou de 4,80% para 4,91%.
Para os próximos 12 meses, a expectativa para o IPCA suavizado passou de 5,36% para 5,45%. Entre as cinco instituições que mais acertam as previsões de médio prazo - Top 5 - a expectativa para o IPCA 2011 subiu de 6,31% para 6,42% e para 2012, de 5,10% para 5,18%.
O mercado elevou também a projeção para o IPCA de março de 0,52% para 0,62%. Para abril subiu de 0,48% para 0,53%. A projeção para o IPC Fipe 2011 subiu de 5,51% para 5,53% e para 2012 continuou em 4,70%.
Selic
O mercado financeiro reduziu de 12,50% para 12,25% ao ano a estimativa para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2011, após sete semanas de estabilidade na previsão. A redução na projeção ocorre depois de uma semana marcada por declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que indicou a possibilidade de novas medidas macroprudenciais e também tentou transmitir segurança de que a inflação vai recuar a partir do último trimestre deste ano.
Para o fim de 2012, a previsão para a Selic foi mantida em 11,25% ao ano. Já a estimativa para a taxa Selic média neste ano recuou de 12,22% para 12,06%, enquanto a estimativa da Selic média para o ano que vem subiu de 11,90% para 12%.
PIB
Pela quinta vez seguida, o mercado financeiro reduziu a sua projeção de crescimento da economia brasileira para 2011, que agora chegou a 4,00%, ante 4,03% no último levantamento da pesquisa semanal Focus, do Banco Central. Para 2012, a projeção recuou de 4,40% para 4,30% de expansão do País.
Para a produção industrial, as estimativas de crescimento para este e para o próximo ano foram mantidas em 4,00% e 4,70%, respectivamente.
IGP-DI
Assim como fez para o IPCA, o mercado financeiro elevou suas estimativas para os Índices Gerais de Preços, tanto em 2011 como em 2012. Para o IGP-DI, a mediana das expectativas para este ano subiu de 6,93% para 7,02%, enquanto que para o próximo ano, passou de 4,95% para 5%.
Para o IGP-M, a projeção para 2011 subiu de 6,97% para 6,99% e para 2012, de 4,89% para 4,90%. As expectativas de alta dos preços administrados em 2011 e 2012 foram mantidas, ambas, em 4,50%.
Câmbio
O mercado financeiro manteve suas estimativas para a taxa de câmbio em 2011 e 2012. Segundo a pesquisa semanal Focus, do Banco Central, a expectativa para a cotação do dólar no fim deste ano seguiu em R$ 1,70 e para o próximo, em R$ 1,75.
Para a taxa média de câmbio, a previsão para 2011 seguiu em R$ 1,68 e para 2012, em R$ 1,74. A previsão do mercado para a relação dívida líquida/PIB em 2011 cedeu de 39,45% para 39,40% e para 2012 foi mantida em 38%.
Déficit em conta corrente
O mercado financeiro reduziu sua projeção de déficit na conta corrente do balanço de pagamentos brasileiro em 2011 de US$ 64 bilhões para US$ 63,20 bilhões, segundo a pesquisa Focus. Para 2012, a expectativa segue de saldo negativo de US$ 70 bilhões.
Houve melhora na previsão de superávit na balança comercial para este ano de US$ 15 bilhões para US$ 15,50 bilhões e em 2012, de US$ 8,30 bilhões para US$ 9 bilhões. A expectativa para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) passou de US$ 42,50 bilhões para US$ 44 bilhões, mesmo valor que continua sendo previsto para 2012. Fonte: O Estadão Online

segunda-feira, 28 de março de 2011

Reunião Matinal 28/03/2011

Na sexta-feira, os problemas na Europa, as tensões na Líbia e as complicações econômicas do Japão após o
terremoto não foram páreo para o apetite do investidor às compras. As bolsas lá fora apresentaram ganhos
consistentes. O Brasil acompanhou e o Ibovespa fechou em alta na sexta-feira. A longa lista de riscos - com a disparada do petróleo e o ressurgimento da crise de dívida europeia - está sendo totalmente ignorada. Desde a semana passada, as praças globais decidiram parar de se preocupar com as complicações geopolíticas e engataram alta, em um surpreendente estado de resistência. Para esta semana, os investidores devem ficar atentos aos novos sinais de mudança na política monetária dos EUA. Neste fim de semana, outro presidente regional do FED sugeriu que pode ser antecipado o fim do programa de compras de Treasuries, agora que a economia se fortalece e a inflação ameaça. Aqui, a semana pode ser decisiva para a definição de novas medidas macroprudenciais, com dados do crédito do BC (amanhã) e o Relatório Trimestral de Inflação (quinta-feira). Para hoje, temos uma segunda-feira cheia de eventos. Internamente, serão divulgadas a confiança do Consumidor, apurada pela FGV, o INCC-M e a pesquisa Focus. Nos EUA, saem os dados de gastos pessoais e o índice PCE, as vendas pendentes de imóveis e os dados de atividade do Fed de Dallas. Nos mercados, as principais bolsas da Ásia começaram a semana sem uma direção única. Nesta segunda-feira, houve bolsas que seguiram a alta em Wall Street na sexta-feira. Outros pregões, contudo, realizaram lucros e reagiram a fatores
econômicos de cada país. Na Europa, os principais índices operam próximos a estabilidade, e nos Estados Unidos os futuros sinalizam uma abertura ligeiramente positiva. Os investidores se mostram divididos entre os riscos que pairam sobre os mercados, e a expectativa de resoluções positivas para os problemas atuais.

sábado, 26 de março de 2011

A Crise do Crédito Visualizada - Parte 1

Para quem quiser se aprofundar mais no assunto e nos motivos que geraram o grande boom Imobiliário nos Estados Unidos e ver como que aconteceu o estouro da bolha em 2008 aconselhamos assistir o documentário "Inside Job" (Trabalho Interno) que mostra detalhadamente o que houve de errado com o sistema financeiro.
Acredito que o documentário não deve possuir o áudio em português mas já há por aí o documentário com legendas.

Pelo que vi o filme em dvd foi lançado a pouco tempo.
http://www.apoderosa.com.br/dvd-trabalho-interno-em-breve,product,32507,311.aspx

Explicando a recente disparada dos preços no Brasil

E

Economistas seguidores da teoria keynesiana — a qual diz que aumentos da quantidade de dinheiro geram crescimento econômico sem, contudo, necessariamente gerar inflação — discordam que a atual onda de aumento de preços vivenciada pela economia brasileira, especialmente nos alimentos, esteja relacionada com a política monetária mais expansiva adotada pelo Banco Central brasileiro.


Para eles, o atual aumento nos preços dos alimentos — o qual é um fenômeno mundial, vale ressaltar — está relacionado a fatores climáticos, como condições meteorológicas ruins na Rússia e na Austrália, além de secas e enchentes (sim, ambas ao mesmo tempo) no Rio Grande do Sul.


Embora seja indiscutível que fatores climáticos afetem os preços dos alimentos, esses economistas precisam explicar por que então os preços de todas as commodities não alimentícias vêm sofrendo altas substanciais recentemente. Mais ainda: como isso é possível em um mundo ainda em recessão.


Particularmente no Brasil, não foram só os alimentos que encareceram. Estes encareceram de maneira mais sensível, é fato. O feijão e a carne, por exemplo, nos últimos 12 meses encareceram mais de 50%. Fatores climáticos realmente podem explicar essa disparada de preço. Mas apenas os fatores climáticos não explicam tudo — afinal, os preços dos bens de consumo duráveis e não-duráveis e dos serviços também estão em forte ascensão.


De acordo com dados da FGV e do IBGE, nos últimos 12 meses, hotéis e empregadas domésticas encareceram 12%. Médico, 11%. Dentista e cabeleireiro, 8%. Custos relacionados à habitação subiram mais de 13%. No geral, os serviços encareceram 7,89% no período de 12 meses encerrado em janeiro. Passagens aéreas subiram 14%.


Voltando ao setor de comidas e bebidas: restaurante, 11%. Frango, 16%. Leite, 18%. Laranja, 31%. Picanha, 42%. Filé-mignon, 52%. Feijão, 63%.


Já na construção civil, apenas em 2010 os custos gerais subiram quase 8%, sendo que os preços da mão-de-obra aumentaram mais de 10%.


Por fim, em termos ainda mais notórios, o índice de preços por atacado — que mede os preços em diversos estágios do processo produtivo, principalmente os preços dos bens de capital (produtos industriais, máquinas e equipamentos) utilizados na indústria de transformação — apresentou um aumento de 14,18% de janeiro de 2010 a janeiro de 2011.


Vale ressaltar que foi apenas nos dois últimos meses de 2010 que a disparada dos alimentos se fez mais notória. Logo, não faz sentido econômico dizer que médicos, dentistas, cabeleireiros, empregadas domésticas, hotéis, companhias aéreas e pecuaristas estão reajustando e acelerando seus preços em função dos custos do feijão e da carne. Da mesma forma, não faz sentido econômico dizer que o cimento, os salários dos peões e os vergalhões encareceram por causa do frango.


Em termos estritamente econômicos, é preciso estar havendo um estímulo maior do que isso. No caso, está havendo uma forte criação de dinheiro por parte do Banco Central e do sistema bancário de reservas fracionárias. Sim, os preços dos alimentos aumentaram também por causa de fatores climáticos. Mas tal aumento foi intensificado pelos efeitos estritamente monetários. Foram também exclusivamente fatores monetários que provocaram elevações gerais nos preços dos bens e serviços da economia brasileira, como veremos a seguir.


Todos os detalhes essenciais da economia brasileira desde 2003 foram explicitados nesse artigo, inclusive o comportamento da economia durante a recessão de 2009. Logo, não há necessidade de repetir os mesmos detalhes aqui.


No presente texto, vou me concentrar mais detidamente na evolução dos meios fiduciários desde outubro de 2008. O que são meios fiduciários, a importância de sua mensuração e o porquê dessa data específica serão explicitados a seguir.


A criação de meios fiduciários — explicando o básico


Um aumento geral e contínuo nos preços dos bens e serviços de uma economia — incluindo-se aí o fenômeno da formação de bolhas (as mais conhecidas são aquelas que se formam na bolsa de valores e no mercado imobiliário) — é um fenômeno que só pode ser mantido se houver um processo de contínua expansão do crédito. Isto é, se houver a criação e o subsequente empréstimo de dinheiro por meio do sistema bancário, o qual opera com a sanção e o apoio do Banco Central.


Expansão do crédito é um fenômeno que depende de dois conceitos relacionados à moeda: dinheiro padrão e meios fiduciários. (Embora o que eu vá explicar abaixo seja extremamente básico para quem já é iniciado no assunto, vale a pena fazer o esforço de acompanhar o raciocínio).


O dinheiro padrão é o dinheiro físico propriamente dito: as cédulas e moedas metálicas, ambas as quais constituem o meio de pagamento final. Isto é, elas não precisam ser trocadas por nenhum outro instrumento de pagamento; elas por si só já representam o pagamento final.


Além das cédulas e moedas metálicas, uma outra variável que também é considerada dinheiro padrão são osdepósitos compulsórios que os bancos são obrigados a manter depositados junto ao Banco Central. O compulsório representa uma porcentagem do total dos depósitos em conta-corrente que os bancos têm de manter como reservas à parte, e eles podem fazer isso tanto na forma de encaixes (dinheiro em seus cofres) quanto na forma de depósitos junto ao Banco Central. Trata-se de um mecanismo de controle da expansão monetária. (Caso não esteja familiarizado com o tema, leia mais detalhes aqui, na seção "O Compulsório").


Quanto menor for o porcentual do compulsório, maior será a quantidade de dinheiro que os bancos podem criar via empréstimos. Os bancos criam dinheiro (eletronicamente) em uma quantia que é inversamente proporcional à taxa do compulsório. No Brasil, o compulsório está atualmente em 32%, o que significa que os bancos podem criar dinheiro no valor de até 3,1 vezes o total de reservas compulsórias (1/0,32).


Funciona assim: João deposita R$ 10.000 em sua conta-corrente no Banco A. João pode até achar que esses R$ 10.000 ficarão ali parados, como um carro em um estacionamento pago, mas não ficarão. Como o sistema bancário é de reservas fracionárias, os bancos mantêm como reservas apenas parte do dinheiro que neles foi depositado. Assim, o Banco A vai guardar uma parte desse dinheiro (digamos, R$ 3.200) e emprestar o restante (R$ 6.800) para José. José vai gastar esse dinheiro de alguma forma, e ele (o dinheiro) inevitavelmente acabará sendo depositado em outro banco, o Banco B. O Banco B vai guardar uma parte desse dinheiro (digamos, R$ 2.176) e emprestar o restante (R$ 4.624) para Antônio, que adotará o mesmo procedimento de José, dando assim continuidade ao ciclo. Ao mesmo tempo em que o dinheiro de João foi sendo "passado adiante", o próprio João continua tendo acesso integral a esse mesmo dinheiro (que é seu), seja emitindo cheques ou utilizando cartão de débito. Dessa forma, os R$ 10.000 iniciais se multiplicaram.


Portanto, se um banco tiver R$ 10 bilhões de reais em depósitos em conta-corrente, ele será obrigado a manter R$ 3.200.000.000 (três bilhões e duzentos milhões) como reservas, tanto na forma de depósitos junto ao Banco Central quanto na forma de encaixes em seus cofres (a soma dos dois deve totalizar 32%). Atualmente, os bancos ficam com 18% na forma de encaixes e 14% na forma de depósitos junto ao Banco Central.


Esses depósitos junto ao Banco Central estão na forma de moeda eletrônica, meros dígitos nos computadores do Banco Central.


E por que então esse dinheiro depositado junto ao Banco Central, que é eletrônico, é considerado também dinheiro padrão? Porque os bancos, quando necessário, sempre podem requisitar ao Banco Central parte desse dinheiro "preso". Nesse caso, o Banco Central, que tem o poder monopolista de imprimir moeda quando quiser, irá simplesmente imprimir (via Casa da Moeda) a quantia necessária e enviá-la (via carro-forte) ao banco demandante. Este poderá utilizar esse dinheiro para colocar em seus cofres ou em seus caixas eletrônicos 24h.


Sendo assim, um banco ter R$ 1.400.000.000 (14% de dez bilhões) depositados junto ao Banco Central é o equivalente a ter essa mesma quantia em seus cofres.


Com isso, temos definido os componentes do dinheiro padrão: a soma das cédulas e moedas metálicas de fato criadas pelo Banco Central (que estão em posse tanto das pessoas e empresas quanto nos cofres dos bancos) mais os depósitos compulsórios eletrônicos que os bancos mantêm depositados junto ao Banco Central. No jargão economicista, isso chama-se base monetária, e está totalmente sob controle direto do Banco Central. É sobre a base monetária que todo o sistema bancário, coordenado e protegido pelo Banco Central, irá criar mais dinheiro eletrônico (via criação de contas-correntes), expandindo a quantidade total de dinheiro na economia.


Em outubro de 2008, a base monetária era de R$ 139,8 bilhões. Em novembro de 2010, ela já estava em R$ 177,8 bilhões. E na primeira quinzena de fevereiro, o valor já era de R$ 186,7 bilhões. (Ignorarei os meses de dezembro e janeiro porque são meses em que a oferta monetária aumenta temporariamente para acomodar as demandas por moeda geradas pelas festas de fim de ano, 13º e afins.)


A esmagadora fatia da base monetária é formada pela variável "cédulas e moedas metálicas", as quais subiram de R$ 99,7 bilhões em outubro de 2008 para R$ 133,1 bilhões em novembro de 2010, e depois para R$ 142,4 bilhões na primeira quinzena de fevereiro (compare esses valores com os valores totais da base monetária nas respectivas datas no parágrafo acima).


A soma dos depósitos compulsórios junto ao banco central mais a fatia dessas cédulas e moedas metálicas que está em posse da rede bancária (em cofres ou em caixas 24h) totalizam, como foi dito acima, as reservas bancárias. Essas reservas são utilizadas para atender aos pedidos daqueles clientes que querem sacar dinheiro, bem como para fazer a compensação de cheques que estão em posse de outros bancos. E é exatamente sobre essas reservas que o sistema bancário de reservas fracionárias cria dinheiro para fazer empréstimos.


Em outubro de 2008, as reservas bancárias eram de R$ 40,1 bilhões. Em novembro de 2010, elas estavam em R$ 44,7 bilhões, voltando a cair para R$ 44,5 bilhões na primeira quinzena de fevereiro.


Esses números já denotam uma anomalia. Normalmente, se a quantidade de dinheiro no sistema econômico aumenta — tanto em termos da base monetária como um todo quanto em termos das cédulas e moedas metálicas —, as reservas bancárias também aumentam na mesma proporção. No entanto, ao passo que a quantidade de cédulas e moedas metálicas aumentou mais de 33% de outubro de 2008 a novembro de 2010 (tal aumento pula para mais de 42% quando se considera fevereiro), o aumento na quantidade de reservas bancárias foi de meros 11% nesse mesmo período.


Essa anomalia é consequência de um fato: em novembro de 2008, como resposta à crise financeira mundial e a consequente contração do crédito, o Banco Central brasileiro reduziu o valor do compulsório de 35% para 26%, liberando um grande volume de dinheiro para os bancos emprestarem e sobre os quais, por meio do processo de reservas fracionárias, criarem mais dinheiro eletrônico. O que nos leva aos meios fiduciários.


Meios fiduciários, para utilizar a definição técnica, são os depósitos bancários que podem ser utilizados como meios de pagamento e que não estão lastreados por dinheiro padrão, seja esse dinheiro alguma commodity como ouro ou simplesmente cédulas de papel-moeda. Ou seja, trata-se da moeda escritural que não tem nenhuma reserva lastreando-a, pois foi criada do nada pelo sistema bancário. Ou, para ficar no popular, é o dinheiro que você utiliza como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos dos bancos junto ao Banco Central. Repetindo: trata-se de um dinheiro sem lastro.


Grande parte da oferta monetária brasileira atual é formada por meios fiduciários na forma de depósitos em conta-corrente. Todas as outras aplicações financeiras (sejam elas depósitos a prazo, renda fixa, curto prazo, multimercado, referenciado, ações etc.) são meros papeis que, para serem convertidos em dinheiro, precisam antes ser vendidos para algum agente obviamente disposto a comprá-los. E este só irá fazê-lo se tiver dinheiro disponível em sua conta-corrente. Portanto, os depósitos em conta-corrente definem, em última instância, a oferta monetária da economia brasileira.


A oferta monetária, portanto, é definida como as cédulas e moedas metálicas em poder do público mais "aqueles substitutos monetários que podem ser redimidos em dinheiro sob demanda e, por meio de cheques ou cartão de débito, funcionam como equivalentes ao dinheiro no mercado".


Traduzindo para o popular, oferta monetária = cédulas e moedas metálicas em poder do público + os depósitos em conta-corrente. Em economês, tal agregado é conhecido como M1.


Na primeira quinzena de fevereiro, o total da oferta monetária brasileira estava em R$ 265,99 bilhões. Ao mesmo tempo, a base monetária estava em R$ 186,68 bilhões. Correspondentemente, o total de meios fiduciários era igual à diferença entre ambos, a qual foi de R$ 79,3 bilhões. Esse valor corresponde ao total de dinheiro eletrônico utilizável como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos dos bancos junto ao Banco Central. É um dinheiro sem lastro.


Todo o dinheiro que os bancos possuem para restituir os depósitos em conta-corrente são as suas reservas, que estavam, como dito, em R$ 44,5 bilhões em fevereiro. Esses R$ 44,5 bilhões eram todo o dinheiro padrão disponível em suas reservas para lastrear um total de R$ 123,8 bilhões em depósitos em conta-corrente — isto é, depósitos igual à soma de R$ 44,5 bilhões + R$ 79,3 bilhões. Em outras palavras, havia 100% de reservas lastreando R$ 44,5 bilhões e absolutamente nada para lastrear R$ 79,3 bilhões, que assim são classificados como meios fiduciários.


E para que estou fazendo essa matemática toda? Simples. Como explicou George Reisman em seu livroCapitalism, a quantidade de meios fiduciários em qualquer momento representa o acumulado total de toda a expansão de crédito ocorrida na oferta monetária do país até aquele momento. Ela representa a soma de todos os empréstimos que o sistema bancário de reservas fracionárias fez baseando-se na criação de dinheiro sem qualquer lastro.


E o principal: a diferença entre a quantidade de meios fiduciários entre dois períodos de tempo representa exatamente a expansão do crédito ocorrida nesse intervalo.


Sendo assim, vejamos.


Em outubro de 2008, um mês antes de o Banco Central diminuir o compulsório, o total de meios fiduciários — diferença entre o M1 e a base monetária — era de R$ 56,1 bilhões. Em novembro de 2010, os meios fiduciários já totalizavam R$ 75,4 bilhões. E aumentaram para R$ 79,3 bilhões na primeira quinzena de fevereiro.


Portanto, a expansão do crédito ocorrida no período de outubro de 2008 a novembro de 2010, em decorrência tanto da redução do compulsório feita pelo Banco Central em novembro de 2008 quanto do aumento da base monetária e consequente aumento da expansão monetária via sistema bancário de reservas fracionárias, foi de34,4% — algo em torno de 1,19% ao mês ou 15,25% por ano.


Se considerarmos o período até a primeira quinzena de fevereiro, então, o aumento total nos meios fiduciários (logo, na expansão do crédito) foi de 41,3% — algo em torno de 1,24% ao mês ou 15,94% por ano. Em termos nominais, isso significa que o sistema bancário de reservas fracionárias criou R$ 828 milhões por mês ou R$ 27,62 milhões por dia.


O gráfico a seguir mostra a evolução dos meios fiduciários desde janeiro de 2002. Vale observar a expansão ocorrida em 2007, seguida da estagnada de 2008, que culminou na recessão de 2009. Observe também o efeito da redução no compulsório ocorrida em novembro de 2008. Por fim, observe que, desde outubro de 2009, os meios fiduciários estão em expansão contínua. (Ignore os solavancos típicos dos meses de dezembro e janeiro).


Expansão dos meios fiduciários





Causas e efeitos


Mas o que, afinal, provocou essa expansão recente dos meios fiduciários (rivalizada apenas pela de 2007)? É claro que a expansão monetária do Banco Central, em conjunto com sua política de redução do compulsório, teve um papel fundamental nisso tudo. O sistema bancário de reservas fracionárias, por sua vez, se encarregou de ampliar os efeitos. Mas houve um outro fato que auxiliou sobremaneira nesse aumento: a postura fiscal extremamente frouxa que vem sendo adotada pelo governo federal desde meados de 2009.


O gráfico a seguir mostra o quanto o governo federal tomou emprestado por mês do sistema bancário nacional.

Veja que, a partir de meados de 2009, o governo federal aumenta sobremaneira a quantidade de recursos que ele toma do setor bancário. Nesse artigo, expliquei que um dos motivos dessa explosão foi a nova política corporativista do BNDES, que passou a conceder empréstimos subsidiados para grandes empresas utilizando dinheiro levantado pelo Tesouro junto aos bancos. No artigo linkado, há os detalhes dessa operação.


Outro motivo desse aumento foram os sucessivos déficits orçamentários que o governo passou a apresentar, consequência do aumento pornográfico dos gastos.


O que importa aqui, no entanto, é entender que o fato de o governo federal aumentar a quantidade de dinheiro que ele pega emprestado junto aos bancos provoca uma expansão da oferta monetária — e, consequentemente, dos meios fiduciários. Como?


Quando o governo federal pega empréstimos junto ao sistema bancário — por exemplo, emitindo títulos públicos —, ele está obviamente sugando dinheiro que poderia ir para investimentos produtivos e gastando-o em benefício de políticos e grupos favorecidos.


Mas além de reduzir a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos para o setor privado, essa postura do governo também faz com que a quantidade de dinheiro disponível para o mercado interbancário (aquele em que os bancos emprestam uns para os outros com o intuito de manter suas reservas compulsórias nos níveis estipulados pelo Banco Central) fique reduzida, pois agora há dinheiro sendo demandado de todos os lados.


Nesse cenário, caso o Banco Central nada fizesse, a tendência seria que a taxa de juros desse mercado interbancário subisse muito. E a taxa de juros do mercado interbancário, como se sabe, nada mais é do que a SELIC. Mas como o Banco Central trabalha com uma meta para a SELIC, ele não pode deixar que ela suba. Consequentemente, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário justamente para evitar que ela aumente muito. E o dinheiro que o Banco Central injeta no sistema bancário vai direto para as reservas bancárias, reiniciando todo o processo acima descrito de expansão da oferta monetária via reservas fracionárias e consequente criação de meios fiduciários.


E assim chegamos a esse fenômeno atual: o governo, incorrendo em grandes déficits, está sugando cada vez mais dinheiro do setor bancário, o que pressiona a SELIC. Consequentemente, o Banco Central tem de injetar cada vez mais dinheiro no sistema bancário apenas para impedir que a SELIC suba muito. Se ele simplesmente reduzir a quantidade de injeções monetárias, a SELIC subirá além da meta.


É assim que, no atual sistema monetário, os déficits do governo são inflacionários.


E é esse arranjo que vem fazendo com que a base monetária, o volume de depósitos em conta-corrente, os meios fiduciários e o volume de crédito cresçam em níveis vertiginosos.


Consequências?


Como explica a teoria desenvolvida pela Escola Austríaca de economia, uma expansão dos meios fiduciários que provoque uma redução na taxa real de juros irá estimular investimentos em projetos de longo prazo, principalmente aqueles empreendimentos que fazem uso mais intenso de bens de capital, como produtos industriais, máquinas e equipamentos. Consequentemente, os preços tanto da mão-de-obra quanto dos equipamentos utilizados nessas indústrias irão subir muito mais rapidamente que os preços de bens de consumo não-duráveis.


Um exemplo claro desse fenômeno, e já descrito aqui há quase um ano, é o da bolha imobiliária brasileira, com o contínuo aumento tanto do preço dos imóveis quanto dos custos dos empreendimentos imobiliários, dos materiais utilizados na construção civil e da mão-de-obra.


Outro exemplo claro pode ser visto no comportamento dos preços dos bens de capital (produtos industriais, máquinas e equipamentos) utilizados na indústria de transformação, os quais apresentaram, como informado no início desse artigo, um aumento acumulado de 14,18% de janeiro de 2010 a janeiro de 2011. Veja o comportamento dos preços no gráfico abaixo:




Observe que a expansão dos meios fiduciários gera um aumento contínuo e sustentado nos preços dos bens de capital a partir de meados de 2006, intensificando-se a partir de meados de 2007, bem de acordo com o gráfico dos meios fiduciários. Esse crescimento atinge o ápice em setembro de 2008, quando a inevitável contração do crédito começa a derrubar os preços desses bens, fazendo inclusive com que eles apresentem deflação acumulada durante o primeiro semestre de 2009. Como também explica a teoria dos ciclos econômicos da Escola Austríaca, quando há uma contração do crédito (isto é, redução abrupta no crescimento dos meios fiduciários), os preços desses setores são os que mais decrescem, podendo inclusive apresentar deflação. (Novamente, veja maiores detalhes dessa ocorrência na economia brasileira nesse artigo).


A partir de meados de 2009, com o forte crescimento dos meios fiduciários, os preços desses bens de capital não apenas voltam a subir, como também sua ascensão é vertiginosa, ainda mais rápida do que a ocorrida em 2006/2007.


E desta vez, ao contrário de 2007/2008, os preços tanto dos bens de consumo não-duráveis quanto dos serviços também vêm apresentando substantiva expansão. Os preços dos alimentos, que subiriam de qualquer forma em decorrência dos fatores climáticos, foram intensificados pelas políticas monetárias expansionistas que estão ocorrendo em escala mundial.


Conclusão


Neste artigo, com a intenção de se evitar prolongamentos desnecessários, não foi discutido o efeito que políticas monetárias expansivas têm sobre a distribuição de renda e sobre o crescimento econômico. Quanto a este último, sempre vale a pena ressaltar que, embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Mais ainda: elas determinam os tipos de bens que serão produzidos, bem como suas quantidades relativas. Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. A única coisa que a inflação e o crédito fazem é provocar uma alteração na valoração de bens, serviços e salários, e uma consequente realocação de recursos.


Os preços no Brasil — não só os dos alimentos — estão em alta. A inflação dos últimos doze meses (fechada em janeiro) apontou aumento de 5,99% para o IPCA, 6,53% para o INPC, 7,41% para o IPC, 11,50% para o IGP-M, 14,18% para o IPA-M e 28,40% para o IPA dos produtos agrícolas.

Essa sopa de siglas é o de menos. O que importa saber é que toda essa inflação de preços está ocorrendo em uma época em que o câmbio está em seu nível mais apreciado da história (o que significa que as importações nunca foram tão baratas). Logo, toda a inflação de preços por que passamos tem três culpados bem definidos: o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o sistema bancário de reservas fracionárias.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Entrevista com Peter Schiff

Economista da Escola Austríaca, fez comentários já em 2006 sobre os maus tempos que enfrentaríamos em 2008. 

Para segurar inflação, Banco Central tira R$ 90,5 bi dos bancos

O tranco no mercado de crédito dado pelo Banco Central no fim do ano passado foi maior do que o previsto. Além de deixar os empréstimos mais caros e de reduzir os prazos, as medidas prudenciais retiraram R$ 90,5 bilhões da economia, recursos que foram recolhidos como compulsórios em dezembro de 2010 e janeiro de 2011. O montante superou em 48,3% a projeção oficial de R$ 61 bilhões. Tamanho incremento nos cofres da autoridade monetária deixou o saldo dos depósitos obrigatórios em R$ 404,1 bilhões, um recorde.
Ainda assim, a quantidade de dinheiro em circulação continuou grande. A estimativa do presidente do BC, Alexandre Tombini, é de que o crédito total se expanda 15% no ano. Se continuasse no ritmo de 2010, quando a concessão avançou 36,3%, os efeitos para a inflação seriam maiores. “Um crescimento do crédito acima disso precisa ser acompanhado com cuidado para que a inadimplência não gere riscos excessivos ao sistema financeiro. Para este ano, 15% é adequado”, avaliou Tombini durante audiência pública no Senado na terça-feira.
Com esse enxugamento, o mercado espera também que a atividade desaqueça. Em janeiro, porém, vários indicadores que projetam o crescimento do país apresentaram aceleração. O último a ser divulgado, o da Serasa Experian, registrou 0,6% de incremento frente a dezembro. Pelo cálculo de alguns especialistas, não fosse a retirada de R$ 90,5 bilhões da economia, o país caminharia a taxas altas e a inflação incomodaria mais ainda, com o do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechando o trimestre acima de 2%.
“O Banco Central precisava dar uma segurada no crédito. Ele estava se expandindo a um ritmo muito forte. Foi útil para conter a demanda”, disse o diretor da consultoria JL Rodrigues, José Luís Rodrigues. Para o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, o enxugamento de R$ 90,5 bilhões foi suficiente apenas para retirar os estímulos dados à economia no período da crise. “Devemos lembrar que, no fim de 2008, o BC liberou compulsórios em torno de R$ 100 bilhões”, disse. “Com essa retirada, ficou no zero a zero.”
Ontem, o BC decidiu aliviar o compulsório dos bancos médios. Como em 2010 eles obtiveram bons resultados, o patrimônio de vários deles superou R$ 5 bilhões. Com isso, eles perderam o direito de fazer deduções nos depósitos. Para mantê-los capitalizados, o BC mudou a forma de cálculo, permitindo os descontos. Fonte: Correio Brasiliense

Juros mais altos, menor crescimento


Não são nada boas as perspectivas econômicas da Europa. O Reino Unido luta contra uma inflação que não cai – atingiu 4% em janeiro e 4,4% neste mês – e permanece acima da meta do país de 2%. Analistas, inclusive, afirmam que é hora do Banco da Inglaterra elevar os juros que desde 2005 permanecem estáveis em 0,5% ao ano.

Mas, obviamente, elevar juros agora terá um impacto negativo na fraca recuperação econômica. Uma questão que não é só do Reino Unido, mas de todos os países da zona do euro. A média inflacionária destes países é de 2,4% de taxa inflacionária em fevereiro, já acima da meta de 2%.

O Banco Central Europeu (BCE), inclusive, já sinalizou a subida dos juros. Desde 2008, o bloco os mantém a 1%. As consequências podem ser perversas para todos, principalmente, para economias mais debilitadas como a da Grécia e da Espanha.

Agora, não bastasse as dificuldades já existentes no front econômico europeu, Portugal está em vias de uma crise política porque a oposição recusa-se a apoiar os cortes de gastos anunciados pelo governo português. Resultado: o primeiro ministro José Sócrates ameaçou renunciar caso o plano não seja aprovado.

Mais juros, menor crescimento e menor arrecadação

O plano, inclusive, contou com a ajuda do BCE para ser desenhado e garantir ao país, pelo menos o pagamento de suas dívidas ao mercado. A situação não é fácil para o governo português que luta para não buscar socorro nos organismos do sistema financeiro, como o FMI. Essas são as pautas urgentes da reunião de amanhã da União Européia que girará em torno de propostas para livrar a zona do Euro da crise da dívida.

O Brasil deve ficar esperto diante do panorama europeu de juros mais altos, menor crescimento, agravamento da crise em Portugal e Espanha. A sinuca de bico todos sabem: mais juros significa mais custos do serviço da dívida, menor crescimento e menor arrecadação. Logo, mais juros anulam todo esforço de corte de gastos e de salários. Fonte: Correio do Brasil

Maioria das famílias brasileiras está endividada


O número de famílias endividadas recuou de fevereiro para março, mas o percentual ficou acima do apurado no mesmo mês do ano passado, segundo pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio), divulgada nesta terça-feira (22).

O levantamento mostrou que o percentual de famílias que se classificam como endividadas passou de 65,3% em fevereiro para 64,8% em março. No entanto, em março de 2010, o indicador estava em 63%.

Segundo a CNC, o comprometimento da renda com gastos extras no início de ano conduziu a uma elevação no nível de endividamento das famílias nos primeiros dois meses de 2011. Ainda segundo a mesma pesquisa, manteve-se estável

A parcela de famílias endividadas que informaram estar com débitos em atraso ficou inalterada, em 23,4%. Trata-se do menor nível desde o registrado em março do ano passado, 27,3%. Já o total de famílias endividadas que informaram não ter condições de pagar seus débitos passou de 7,7% para 8,4%.

Para a entidade, isso pode ter sido influenciado pelo atual mercado de crédito, que continua a apresentar condições menos favoráveis, com taxas de juros maiores e prazos mais curtos. No entanto, o porcentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas em março deste ano ainda é menor que o apurado em março do ano passado (8,7%).

Do total de famílias endividadas, 71,6% apontaram o cartão de crédito como modalidade principal. Na sequência parecem os carnês (21,9%) e o financiamento de carros (10,6%).

Consumo

A intenção de consumo das famílias brasileiras desacelerou em março, segundo a CNC, com uma queda de 1,7% em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2010, o resultado ainda é positivo, com alta de 0,9%.

Embora a taxa seja superior a de fevereiro deste ano (0,7%), na comparação com igual mês do ano anterior, a CNC informou que as taxas de elevação de fevereiro e de março são muito mais baixas do que a apurada para o indicador em janeiro de 2011, quando subiu 2,8% na comparação com janeiro de 2010.

Para a entidade, esses dados reforçam a ideia de uma tendência de desaceleração no consumo das famílias brasileiras em março.

Segundo a confederação, as respostas foram influenciadas por uma piora, em março, nas avaliações das famílias brasileiras quanto ao emprego e à renda. De acordo com a entidade, o indicador de emprego atual - que mede a satisfação do brasileiro com o mercado de trabalho - caiu 2,2% em março ante fevereiro e 0,3% na comparação com março de 2010. Já o indicador de renda atual - calculado a partir das respostas sobre a análise do consumidor quanto a sua renda no momento - mostrou quedas de 1,3% em março ante fevereiro e baixa de 0,8% na comparação com março do ano passado.

O indicador que mede o interesse atual de compras de duráveis das famílias mostrou queda de 6,9% em março ante fevereiro e recuo de 0,5% na comparação com março de 2010. Para a CNC, a piora neste quesito é fruto da menor oferta e da diminuição de prazo nas modalidades de crédito no mercado em 2011.

A pesquisa sobre endividamento ouviu 17.800 consumidores em todo o país; já o levantamento sobre intenções de compra foi baseado nas respostas a 18 mil questionários apurados no Brasil todo. Fonte: Record

sexta-feira, 25 de março de 2011

Reunião Matinal 25/03/2011

A crescente lista, que agrega risco e cautela aos investimentos, continuou sendo levemente esnobada pelos
mercados internacionais ontem. A sucessão de notícias ruins como guerra civil da Líbia, problemas no Japão
e crise da dívida na Europa, estão passando batidas pelas bolsas de valores. Por sua vez, o Ibovespa resolveu "olhar" para seu noticiário interno e se deparou com alguns percalços. Resultado: leve queda.
Hoje, os destaques da agenda ficam por conta dos Estados Unidos. Logo cedo será anunciada a revisão do
PIB americano referente ao último trimestre de 2010, que na última revisão apontou crescimento de 2,8% e
para hoje, a expectativa é de que esse número sofra revisão para cima, influenciado pelo componente de
variação de estoques. Mais tarde o mercado aguarda o resultado fechado da confiança do consumidor aferida pela Univ. de Michigan em março.
Vale destacar que ontem a S&P reduziu o rating soberano de Portugal de A- para BBB. Segundo a agência,
essa alteração deve-se à derrota do governo português na votação do plano de austeridade fiscal - o aumento da incerteza deverá afetar a confiança do mercado e elevar o risco de refinanciamento do país. A Fitch
também rebaixou a nota de Portugal, justificando que os riscos subiram para a implementação de
políticas e financiamento fiscal. Ainda assim, as principais bolsas na Europa operam com ganhos nesta manhã. A atenção dos investidores está voltada hoje para a reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde os líderes discutem os problemas fiscais da zona do euro e, em especial, uma ajuda para Portugal. A confiança num socorro rápido para o país evitou maiores preocupações nos mercados com a derrota das medidas de ajuste no Parlamento português ontem, seguida pela renúncia do primeiro-ministro. Os índices futuros em Wall Street também operam com ganhos, no aguardo pelos indicadores do dia.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Fórum da liberdade Econômica - Como está o Brasil?


o Fórum defende a corrente da Escola Austríaca do pensamento econômico.

Reunião Matinal 24/03/2011

Os investidores ainda trabalham com a mesma trilha sonora: Japão-Líbia-Europa-pressão inflacionária. As
vezes o volume da música fica mais alto em alguma nota, ou até mesmo, em mais de uma nota. Ontem, por
exemplo, a Europa tocou mais alto que qualquer outra. Os mercados internacionais não esqueceram da crise
das dívidas e a preocupação com a situação na periferia do Velho Continente ampliou o leque de tensão
sobre os negócios. Mas ainda assim os mercados se mostraram otimistas e apresentaram leves ganhos.
Para hoje, a agenda doméstica conta com a divulgação da pesquisa de emprego do IBGE e o relatório da
dívida pública. Nos EUA, saem os dados de pedidos de auxílio-desemprego e as encomendas de bens duráveis.
Dentre as notícias mais relevantes do dia, a queda do governo de Portugal tem potencial para criar aversão
ao risco nas praças financeiras. Como a oposição realmente barrou as novas propostas de austeridade fiscal
apresentadas pelo Partido Socialista, o primeiro-ministro José Sócrates renunciou ao cargo. Ainda assim, as
bolsas reagem com calma a notícia nesta manhã, já que o mercado dá quase como certo que Portugal recorrerá
a ajuda financeira internacional.
Para completar, a Moody´s rebaixou hoje o rating
de 30 bancos da Espanha, depois de já ter cortado
a nota soberana do país. Entretanto, as três
maiores instituições financeiras, Santander, BBVA
e La Caixa, não foram afetadas e tiveram os ratings
confirmados.
Na Ásia, o avanço nos preços das commodities
sustentou a alta na maior parte das bolsas da
região nesta quinta-feira, compensando o efeito
negativo provocado pelos conflitos políticos no
Oriente Médio e norte da África e pela crise nuclear no Japão. Na China e no Japão, o dia foi de ligeira realização.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ricardo Amorim Falando de Sustentabilidade

Reunião Matinal 23/03/2011

O ambiente parece mais leve, mesmo com a situação delicada do Japão e as incertezas geopolíticas
com foco na Líbia. Risco existe, mas os mercados estão administrando bem a cautela necessária. Mesmo
assim, indicadores piores que o esperado na Inglaterra e nos Estados Unidos deixaram as bolsas
em ligeiras baixas. O Ibovespa, que anda descolado do mercado externo, mostrou uma alta mais consistente
puxada por ações do setor petrolífero e financeiro, encerrando o dia com ganhos de 1,33%.
Para hoje, a agenda doméstica tem como destaque o IPCA-15 de março e o fluxo cambial semanal.
Nos EUA, a agenda de dados econômicos segue fraca, com dados de vendas de imóveis novos, os
estoques de petróleo e discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke.
Nos mercados, a frágil situação fiscal dos países periféricos europeus volta à tona e se transforma em
mais um fator de incertezas para os mercados financeiros internacionais. Em Portugal, a oposição ao
governo deu sinais de que não aprovará as medidas de austeridade fiscal a serem votadas hoje e pode
levar a uma provável renúncia do primeiro-ministro. E como consequência, crescem as chances de
Portugal ser o terceiro país da Zona do Euro a
receber um resgate financeiro.
Ainda assim, as principais bolsas europeias
operam em alta. Nos Estados Unidos os futuros
também tem ligeiros ganhos.
Na Ásia as bolsas fecharam com sinais mistos.
Enquanto na China o dia foi de ganhos, no
Japão, a bolsa de Tóquio fechou em queda
num pregão volátil, puxada para baixo pelas
realizações de lucros que se seguiram aos
ganhos acentuados de terça-feira e à notícia de contaminação radioativa no sistema de abastecimento
de água da capital japonesa.


Petrobras: Produção de óleo e gás cresce 1,7%
A Petrobras informou em nota que sua produção média de petróleo e gás natural, no Brasil e no exterior, em fevereiro, foi de 2.603.953 barris equivalentes de óleo por dia
(boed). Esse resultado ficou 1,7% acima do volume registrado no mesmo mês de 2010 e recuou 2,2% em relação ao volume total extraído em janeiro deste ano.
Notícia NEUTRA para empresa. A redução da produção em relação a janeiro é reflexo de algumas paradas programadas da produção em algumas plataformas no
Brasil durante o mês. Mais importante que esse dado da produção é a continuidade da elevação do preço do petróleo. Essa semana a commoditie voltou a apresentar
novas altas e desde o dia 15/03 acumula alta de 7,5%. Quando ampliamos o horizonte de análise, vemos que desde dezembro o petróleo acumula alta de 23% no
mercado internacional, tendo atingido US$105,3/barril (petróleo WTI). Nos mesmos períodos a Petrobras acumula altas de 1,4% e 16,5% respectivamente. Lembrando
que historicamente a correlação entre os 2 ativos é de 85%.


Eztec – Resultado do 4T10
A construtora e incorporadora reportou ontem após o fechamento seus números do 4T10, demonstrando uma expressiva expansão frente à 2009.
􀀀 Receita Líquida de R$ 156,2 milhões (+26,6% ano-contra-ano), devido ao maior número de obras e volume de vendas;
􀀀 Margem Bruta ganhou 12,2 p.p. ano-contra-ano alcançando 48,8% no tri, devido principalmente ao azeitado controle de custos e a venda de estoque. Com isso, a
companhia fechou 2010 com 46,8% de margem bruta, bem acima da meta de 40% para 2010;
􀀀 O EBITDA totalizou no tri R$ 52,6 milhões (+52,2%), com ganho de 6,2 p.p. de margem (atual em 33,7%). Despesas operacionais pressionaram bastante as margens
da companhia, mas ainda assim a forte expansão de margem bruta conseguiu manter a empresa com ganhos de margem;
􀀀 Lucro Líquido do tri ficou em R$ 62,8 milhões (+81,5%), em virtude do expressivo ganho de margem bruta, aliada a melhora do resultado financeiro, que por sua
vez teve no aumento do caixa devido ao aumento no fluxo de recebíveis sua explicação.
Consideramos o resultado POSITIVO, com destaque sobre o forte ganho de margem bruta. A companhia segue num ritmo acelerado, com margens operacionais
bem acima da média do setor e já entregando no 1T11 cerca de 40% da sua meta de Lançamentos (R$ 1,1 bilhão; +24% ano-contra-ano). Ainda assim, negociando a
1,9x P/VPA e ainda por cima recolocando no mercado todas as ações da tesouraria, fruto do programa de recompra, entendemos que empresas como CR2, Brookfield
e PDG sejam mais atrativas.