E começa novamente a série de estímulos para a economia brasileira.
O governo já começou com redução da taxa SELIC, redução de IPI pra linha branca e tirou o IOF dos investidores estrangeiros com aplicações no país. Talvez chegamos a um ponto em que precisamos começar a nos preocupar, se o governo já está com tantas ações para movimentar a economia é sinal de que coisas nada boas estão por vir. Sabemos que o cenário externo não é dos melhores e que em caso de piora da situação o capital estrangeiro tende a sair do país (esse é um dos motivos da isenção do IOF).
Bem, o mercado reagiu bem com todos estes estímulos, o ibovespa subiu forte ao receber as notícias e o giro financeiro ultrapassou os 7bi, pode ser um sinal de novos capitais provindos do exterior. Mas vamos falar a verdade, será que o governo já tem receio dos dados do PIB do quarto trimestre que devem vir nada bons? Será que é um presente de natal para que fiquemos mais aliviados quando surgirem os números?
Então pessoal, o que acham que podemos esperar disso tudo?
sábado, 3 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Reativação
Para todo o pessoal que pediu e para quem não pediu também, o blog está voltando ao ar. Depois de um período de abandono e descaso estamos voltando a colocar postagens.
A ideia é abordar os mais diversos assuntos, mas sem fugir muito do foco. E queremos sugestões de postagem aqui também. Vamos falar de festa? Vamos, mas vamos ver se esse pessoal faz algo mais além de festar, o blog é um local de respeito, quero ver ninguém fazendo bagunça por aqui.
Haha, abraço pessoal e vida longa ao blog.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Ineficiência do Estado é mais grave que carga tributária, diz Delfim
O economista e ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto, propôs nesta sexta-feira, 3, que a sociedade passe a defender a melhora da eficiência do uso dos impostos, em vez de insistir em pedir a redução da carga tributária. "O Brasil cresceu muitos anos a 7,5% ao ano, com carga tributária de 24%, sendo que o governo investia 5%. Hoje, o Estado toma 36% do setor privado em carga tributária, mais 3% de déficit nominal, e investe 1,5%. Não adianta insistirmos em reduzir a carga tributária, o problema é a eficiência do gasto, o que é tomado da sociedade e o que é devolvido. É possível melhorar a eficiência do uso e permitir que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça 5% ao ano. O problema da deficiência não está no setor privado, mas no setor público", disse o ex-ministro, ao participar da 22.ª edição do Congresso do Aço, na capital paulista.
Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou que a necessidade de reformas é urgente. "A sociedade conhece as necessidades do País, mas a demora para se tomar decisões cria as grandes dificuldades que estamos enfrentando", disse. Entre as dificuldades, ele citou câmbio, carga tributária excessiva e juros elevados. "Se fizermos mudanças necessárias do ponto de vista de carga tributária e juros, temos um longo crescimento para os próximos anos."
O presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, Jorge Gerdau Johannpeter, disse que a arrecadação que o governo faz "não é transparente". Ele citou como exemplo os impostos cobrados sobre a energia elétrica para os consumidores residenciais e industriais, cujas alíquotas são desconhecidas pela maioria dos contribuintes. Gerdau defendeu que capital e trabalho se juntem para debater os problemas do País. "Temos de saber onde queremos chegar 20 anos para frente e corrigir isso a cada dois anos porque o mundo muda de novo", afirmou.
O presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, Jorge Gerdau Johannpeter, disse que a arrecadação que o governo faz "não é transparente". Ele citou como exemplo os impostos cobrados sobre a energia elétrica para os consumidores residenciais e industriais, cujas alíquotas são desconhecidas pela maioria dos contribuintes. Gerdau defendeu que capital e trabalho se juntem para debater os problemas do País. "Temos de saber onde queremos chegar 20 anos para frente e corrigir isso a cada dois anos porque o mundo muda de novo", afirmou.
Em relação ao pré-sal, Gerdau disse que se trata de riqueza não para ser gasta, mas investida. "Se começarmos a torrar o dinheiro do pré-sal, vai durar 20, 30 anos, e como é que se faz quando essa riqueza acabar?". Segundo Gerdau, países que possuem riqueza de petróleo são pobres, caso da Venezuela.
O ex-ministro Delfim Netto afirmou que petróleo é um produto nobre demais para ser exportado. "Se o Brasil decidir exportar petróleo, vamos voltar para trás. Temos tudo para construir uma grande indústria do petróleo, usando o que ele tem de melhor, que não é ser dissipado em transporte", disse. "Não devemos perder nenhuma oportunidade, devemos utilizar recursos da melhor maneira possível, mas não podemos fazer isso sem ampliar de maneira importante o setor de indústria e serviços."
Delfim ressaltou que a expansão da China a partir de 2003 foi um presente que o Brasil ganhou. "Isso elevou o crescimento das exportações. Estávamos preparados para fazê-lo", disse. Gerdau citou que a demanda da Ásia por commodities resolveu o problema da balança comercial brasileira. "O Brasil devia fazer uma estátua aos empresários do setor primário", disse Gerdau, acrescentando que o País tem hoje dependência total "desse paraíso que é a Ásia". "As commodities e o minério só vão para frente", disse Gerdau.
Brasil fica na lanterna em crescimento entre os Brics
O Brasil ficou nos últimos lugares em termos de crescimento no primeiro trimestre de 2011, na comparação com os Brics - o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Com crescimento de 4,2% no primeiro trimestre, comparado com o mesmo período de 2010, o Brasil cresceu menos que a China, com 9,7%, a Índia (7,8%) e a África do Sul (4,8%). O crescimento brasileiro só foi maior do que o da Rússia, que teve expansão de 4,1%.
Na verdade, com uma diferença de apenas 0,1 ponto porcentual, que é quase insignificante em termos de contas nacionais, é possível dizer que Brasil e Rússia compartilharam o crescimento mais lento no primeiro trimestre, entre os Brics. O IBGE também divulgou nesta sexta-feira uma comparação mais ampla, mas excluindo os Brics, com países ricos (quase todos) e alguns emergentes que já divulgaram o resultado do primeiro trimestre. Nessa segunda comparação, o Brasil, com 1,3%, teve o terceiro maior crescimento (junto com o Chile), só perdendo para Alemanha, com 1,5%, e Coreia do Sul, com 1,4%. Fonte: Record
Brasil se sai melhor que ricos, mas ainda tem que avançar entre emergentes
O governo está tentando por o pé no freio, mas ainda assim o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) brasileiro avançou em ritmo considerável: 1,3%, na comparação com o quarto trimestre (período de outubro a dezembro) de 2010. O ritmo superou o de ricaços como os Estados Unidos e a União Europeia, mas para ser páreo para a China e a Índia, ainda é preciso avançar.
A economia americana cresceu apenas 0,4% entre janeiro e março, em relação ao último trimestre de 2010. O país ainda não está curado da crise que derrubou a economia global entre 2008 e 2009 – e os sinais não são animadores: o desemprego em maio no país avançou e foram criadas poucas vagas (54 mil, contra previsões de cerca de três vezes mais).
Na Europa como um todo – União Europeia e zona do euro – o desempenho também foi fraco: a crise na Grécia, devido ao endividamento do país, tem prejudicado o bloco como um todo (Portugal, por exemplo, entrou em recessão recentemente). O crescimento no trimestre passado na comparação com o último de 2010 foi de apenas 0,8%. A Alemanha se saiu melhor que o Brasil, mas a França teve desempenho pior – apenas para citar dois casos.
Já entre os Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reúne as principais economias emergentes, o Brasil continua em terceiro. A China, na comparação do primeiro trimestre deste ano com o último de 2010, cresceu 2,1%. A economia chinesa tem dado sinais de desaquecimento, mas continua com muito fôlego.
Para a Índia há apenas a comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o mesmo período do ano passado; nessa relação, o PIB indiano avançou 7,8%. O do Brasil, por sua vez, cresceu 4,2%. Mesmo a Rússia, que tem tido desempenho inferior ao do Brasil, ficou atrás por pouco - cresceu 4,1% no trimestre passado. Fonte: Record
Tarifas aéreas devem aumentar com preço do petróleo
Passageiros estão se deparando com tarifas mais altas, já que as companhias aéreas tentam repassar um incremento estimado em US$ 50 bilhões no preço dos combustíveis este ano, afirmou um órgão líder do setor na Ásia nesta sexta-feira. Andrew Herdman, diretor-geral da Associação de Companhias Aéreas da Ásia-Pacífico, disse que as tarifas terão que aumentar 10% para compensar os altos preços do petróleo, mas analistas questionaram se as companhias conseguirão repassar os custos por completo.
Seus comentários antecipam o encontro anual da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), no qual companhias aéreas globais devem cortar suas previsões de lucro. "No ano passado, quase nos acostumamos ao preço (do petróleo) a 80 dólares o barril e tivemos um ótimo ano. Mas com os preços a 100 dólares ou mais, o desafio agora é como repassar o alto custo", disse Herdman em uma entrevista.
"No momento, o setor está basicamente lidando com um aumento de custo anualizado de US$ 50 bilhões e isso deve elevar as tarifas. Quando as receitas estão (ao redor) de US$ 500 bilhões, as taxas têm que aumentar em 10%", acrescentou. Em 2010, o setor se recuperou da recessão mais rápido que o esperado, reportando lucro recorde de US$ 16 bilhões graças ao crescimento da demanda e a estratégias para aumentar a capacidade de passageiros. Mas o Iata afirmou que sua recente previsão de lucro de US$ 8,6 bilhões em 2011 agora parece otimista e pode ser reduzida na segunda-feira.
O Iata usou um preço médio de US$ 96 o barril para o petróleo tipo Brent quando calculou sua previsão, mas o preço médio anual até o momento já passa de US$ 110 o barril. Herdman disse que um preço médio de US$ 120 para o barril pode resultar em perdas anuais para o setor, porque opera em margens razoavelmente apertadas.
No pico da recessão global em 2009, o setor reportou uma perda anual de quase US$ 10 bilhõe, forçando as companhias aéreas a reduzir sua capacidade ao tirar aeronaves de circulação e reduzir sua ocupação. Fonte: Record
No pico da recessão global em 2009, o setor reportou uma perda anual de quase US$ 10 bilhõe, forçando as companhias aéreas a reduzir sua capacidade ao tirar aeronaves de circulação e reduzir sua ocupação. Fonte: Record
quinta-feira, 26 de maio de 2011
OMC adverte: protecionismo causará efeitos devastadores na economia global
O diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, alertou ontem (25/5) os líderes mundiais que a adoção das medidas protecionistas causa “efeitos devastadores” na economia global. Dirigindo-se aos representantes do G20 – o grupo dos países mais ricos do mundo -, Lamy pediu que resistam “à tentação”. Como exemplos de excessos, ele citou medidas adotadas pela Argentina, Rússia e Ucrânia.
“A má notícia é que nos últimos seis meses se registaram mais medidas protecionistas que durante a crise”, afirmou Lamy. Ao ser perguntado sobre o que pode ocorrer, ele foi objetivo: “Os efeitos são devastadores. Os dirigentes dos países do G20 têm o dever de abordar seriamente esse problema”. Lamy citou como exemplos de países que adotaram medidas protecionistas a Argentina, Rússia e Ucrânia. No caso dos argentinos, o governo brasileiro reagiu e suspendeu a concessão de licenças automáticas para automóveis e autopeças. O impasse provocou reações na Argentina.
Para o governo brasileiro, a suspensão das licenças era necessária porque vários produtos brasileiros, como calçados, pneus e achocolatados, sofriam restrições no mercado argentino em decorrência das medidas protecionistas. Lamy lamentou a interrupção nas negociações da Rodada de Doha. “Infelizmente, neste momento, estamos em um impasse.” Ele se referiu ao bloqueio das negociações por parte dos Estados Unidos, que exigem dos países emergentes, como a China, Índia ou Brasil, a redução das tarifas para alguns produtos industrializados para taxa de até zero. Fonte: Agência Brasil
Brasileiro vai terminar de pagar impostos deste ano só no dia 29
Brasileiro vai terminar de pagar impostos deste ano só no dia 29
Ontem quarta-feira (25), o trabalhador brasileiro completou 145 dias de serviço desde o primeiro dia do ano, mas nenhum centavo sequer foi para o bolso efetivamente. Segundo estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), o brasileiro vai trabalhar até o próximo domingo (29) exclusivamente para pagar impostos, taxas e contribuições exigidos pelos governos federal, estadual e municipal.
Isso significa que, em 2011, o brasileiro vai destinar nada menos que quatro meses e 29 dias – ou 149 dias - para pagar tributos. Desse total, 54 dias serão usados para “quitar” tributos sobre a renda, 11 para tributos sobre o patrimônio e 84 para tributos sobre o consumo. Em 2012, a arrecadação do governo federal deve aumentar e ampliar ainda mais esse tempo necessário para pagar tributos, diz o presidente do IBPT, João Eloi Olenike.
- Infelizmente, o crescimento tem sido constante. A cada ano que passa, a gente tem que trabalhar mais dias para pagar impostos. Para 2012, vai depender muito da conjuntura econômica porque [houve] o aquecimento econômico e a melhoria do órgão arrecadador da Receita Federal com a nota fiscal eletrônica, que ajuda o governo a ampliar a arrecadação. Isso faz nós crermos que haverá aumento de arrecadação tributária no ano que vem.
Em relação à renda, o trabalhador tem 40,82% da sua renda bruta anual comprometida com as taxas, contribuições e impostos, segundo o IBPT. A maior parte disso ficará em produtos ligados ao consumo, que vão abocanhar pouco mais de 22% do salário do brasileiro. A classe média brasileira, com renda mensal entre R$ 3.000 e R$ 10 mil, será a principal prejudicada pelos tributos: 43,29% da sua renda será destinada ao pagamento de impostos, taxas e contribuições. Com carga tributária maior, também é necessário mais tempo para liquidá-la: segundo o instituto, o brasileiro da classe média vai pagar impostos até o dia 7 de junho.
Quando se considera apenas o consumo, entretanto, é a classe baixa a que mais sofre com a tributação. De acordo com o IBPT, a compra de bens de consumo, como eletrodomésticos e móveis, e alimentos, por exemplo, devem abocanhar quase 23% da renda dessa fatia da população. Os brasileiros da classe baixa levarão 142 dias para acabar com os débitos dos impostos – terminou em 22 de maio. Por outro lado, os mais ricos sofrem mais com os tributos sobre a renda: 20,88% dos ganhos brutos terão esse destino. A classe alta pagará tributos até 1º de junho, segundo o IBPT.
Carga tributária no Brasil
O Brasil só perde para a Suécia no ranking de tempo necessário para quitar os tributos. No país escandinavo, são necessários 185 dias do ano para liquidar os impostos exigidos pelo governo. O Brasil aparece na segunda colocação, empatado com a França. No entanto, o Brasil perde da Espanha (137 dias), Estados Unidos (102 dias), Argentina (97 dias), Chile (92 dias) e México (91 dias) – estes últimos três países em desenvolvimento, como o Brasil. Fonte: Record
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Com economia aquecida, brasileiros devem pagar 10% a mais em impostos em 2011
A soma dos impostos pagos pelos brasileiros em 2011 deve crescer entre 9% e 10% em termos reais (ajustada pela inflação do período) na comparação com 2010. A informação é do Secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto.
- O crescimento da arrecadação de impostos foi mais acentuado no início do ano porque em janeiro houve antecipação significativa de tributos, atividade econômica forte e reflexos de dezembro e de 2010. A partir de abril teremos convergência e o crescimento anual deve ficar entre 9% e 10%.
O motivo do aumento dos impostos é o aquecimento da economia brasileira. Com a economia crescendo há mais empregos, mais renda, mais consumo e mais produção, e com isso todos pagam mais impostos, mesmo que não haja criação de novos tributos.
A Receita divulgou nesta quinta-feira (19) a arrecadação de impostos de abril. No mês os brasileiros pagaram valor recorde para abril, um total de R$ 85,15 bilhões: alta real de 12,1% em relação a abril do ano passado.
Em janeiro, a alta da arrecadação foi de 15,3%. Como a arrecadação de janeiro teve influência de 2010, a Receita estima que o crescimento da arrecadação de impostos será menos intenso ao longo do ano, fechando em 10% para o ano.
- Os meses de janeiro e abril são meses de picos de arrecadação. Em abril temos apuração trimestral do Imposto de Renda e a contribuição da Pessoa Jurídica e a primeira cota ou a cota única do Imposto de Renda da Pessoa Física, que são pagos em abril. Fonte: Record
Banco Central cria supercomitê para vigiar sistema financeiro
O Banco Central criou neste quarta (18/5) um supercomitê para acompanhar a evolução e desenvolvimento do sistema financeiro no Brasil. Chamado de Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), ele será composto 11 departamentos, duas gerências, pela Procuradoria Geral do BC e pela secretaria-executiva da casa. Também integram o órgão todo os diretores e o presidente da instituição, Alexandre Tombini. Os integrantes do novo braço da autoridade monetária irão se reunir bimestralmente para desenvolver estratégias e diretrizes para que a autoridade monetária se antecipe aos riscos que possam afetar todo o mercado financeiro e causar problemas à economia. Fonte: Correio Brasiliense
Cerca de 20 bancos estrangeiros querem comprar instituições brasileiras
Além da temporada de compra e venda de bancos no Brasil, um segundo movimento pode seguir no sentido contrário da concentração e terminar por incrementar a concorrência no país. De acordo com informações exclusivas obtidas pelo Correio, 20 bancos estrangeiros estão na fila do Banco Central para entrar no sistema financeiro brasileiro. Seis deles são instituições de grande porte, semelhantes ao Santander. São bancos asiáticos, principalmente coreanos e chineses, da Espanha e de demais regiões da Europa.
Parte dessas instituições deve entrar no país por meio da compra de bancos de menor porte, que funcionam angariando depósitos e vendendo carteiras de crédito. Com o escândalo do PanAmericano, essas instituições perderam credibilidade e tiveram seus custos de captação extremamente elevados. “Quando a credibilidade é menor, mais caro se paga para captar recursos no mercado”, ponderou um integrante da equipe econômica. Esses bancos menores estão sobre a lupa do BC e, juntas, somam patrimônio de R$ 24,7 bilhões, ou 0,5% do sistema financeiro nacional.
“Isso é um exemplo de como o mercado bancário brasileiro está atraente e robusto. As condições no país são totalmente sustentáveis para absorver esses bancos pequenos”, avaliou o técnico do governo. “O modelo de negócio dos bancos de cessão de credito, por exemplo, é uma boa porta de entrada. Mesmo que uma boa parte seja comprada, eles não vão deixar de existir. E, se tiverem uma grande bandeira por trás, acabam os problemas de credibilidade e de custo de captação”, acrescentou. Alguns dos estrangeiros, entretanto, chegarão ao mercado sem objetivo de lucro, visando apenas operar no mercado de câmbio para se protegerem dos riscos inerentes aos contratos de importação e de exportação. Fonte: Correio Brasiliense
Brasil cresce 1,27% no primeiro trimestre e surpreende mercado
A economia brasileira continua se expandindo fortemente a despeito de todas as medidas adotadas pelo governo para frear a atividade econoômica e a inflação. Pelos cálculos do Banco Central, o Brasil cresceu 1,27% na comparação com o último trimestre do ano, quando a taxa de expansão havia sido de 1%. O país também avançou na comparação mensal, em março, o crescimento foi de 0,51% -- número 0,11 ponto perncentual superior ao que o mercado esperava. Se esse desempenho se manter até o fim do ano, o Produto Interno Bruto do país (soma de todas as riquezas) poderá chegar a uma taxa acima de 5%. Fonte: Correio Brasiliense
segunda-feira, 9 de maio de 2011
BCs temem bolha com queda das commodities
Xerifes das finanças internacionais temem que a correção nos preços de matérias primas na semana passada possa ser um primeiro e perigoso sinal do potencial estouro de uma bolha de commodities, representando um "alto risco" para a recuperação da economia mundial e escancarando a atuação de especuladores nos mercado de energia e alimentos. Essa é a avaliação de alguns dos principais Bancos Centrais do mundo que começaram hoje, na Basileia, uma avaliação completa da situação da economia mundial durante reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
No final da semana passada uma correção no mercado de commodities afetou preços de uma gama de produtos, do cobre ao algodão. O petróleo registrou a maior queda em termos absolutos da história. Em apenas um dia, o barril perdeu US$ 12,00. Na semana, a prata perdeu 30% de seu valor, na maior queda em quase 30 anos. O Financial Times chegou a classificar a queda de "épica" e, não por acaso, entre alguns representantes de BCs, a ordem é de manter vigilância total em relação aos acontecimentos diante do que poderia ser mais uma bolha.
Para alguns, a ameaça de um "pouso forçado" existe em relação ao comportamento do mercado de commodities. O impacto seria sentido acima de tudo em economias exportadoras de matérias-primas. Parte da recuperação de alguns desses mercados partiu exatamente por conta da renda gerada com as exportações de commodities.
Segundo dados do Instituto de Finanças Internacionais, foram os altos preços de commodities que promoveram uma recuperação rápida na América Latina após a crise de 2009. A entidade, que representa os bancos privados, apontam que as commodities representam hoje 50% das exportações da região e que foi justamente esse fator que permitiu que os termos de troca do continente tivessem uma alta de 6% em 2010.
No BC brasileiro, porém, esse pouso forçado e eventuais perdas diante da queda abrupta dos preços não faz parte das previsões. A reunião na Basileia ocorre a portas fechadas e os presidente das instituições são orientados a não revelar o conteúdo das conversas. "Não posso falar nada", disse o presidente do BC chileno, José de Gregório. O Chile vinha sustentando parte de sua expansão na alta dos preços de cobre.
A reunião ainda conta com representantes do Fed, Alexandre Tombini, presidente do Banco Central brasileiro, e Jean Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu. Fonte: O Estadão Online
Aumento da inflação traz preocupação com inadimplência, diz especialista
O aumento da inflação reduz o poder de compra da população e traz preocupação com a inadimplência. Se as pessoas estão pagando mais caro por alimentos, por outros produtos e pelos serviços, sobra menos dinheiro no bolso para pagar os empréstimos. Além disso, a expectativa de menor crescimento econômico para este ano leva à redução da renda e de postos de trabalho, o que também contribui para o crescimento da inadimplência, segundo avaliação de economistas.
Mas o assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, afirma que a inadimplência neste ano, apesar de ficar maior que no ano passado, não será recorde. A previsão da Serasa para este ano é 8%, sendo que em 2010 a inadimplência ficou em 6,3%. “Não é uma inadimplência recorde, mas todo aumento de inadimplência não é uma boa notícia”, afirma.
E o efeito da alta da inflação já se reflete no comportamento de consumidores, como observa o segurança Ednaldo Fernandes de Oliveira, de 27 anos. “Estas notícias me preocupam porque eu não vou poder comprar mais como comprava. Já diminuí bastante as compras porque ainda tenho dívidas para quitar”, conta.
A babá Luiza Nascimento, de 38 anos, também se diz preocupada com a alta dos preços. “Esta inflação traz muita preocupação porque com qualquer atraso os juros são um horror. Eu sempre evitei fazer dívidas porque se eu não puder pagar hoje, não vou poder pagar futuramente."
O agente comercial dos Correios, Josias Galdino Siqueira, de 58 anos, que comprou um carro em 60 prestações, diz que faz todas as compras de forma planejada. “Eu só faço dívidas que eu sei que vou conseguir pagar. Eu sempre fico de olho nas promoções. Comprei o carro, mas com o preço da gasolina, vou usá-lo só em último caso, só em necessidade."
Já para o funcionário público Erasmo Bandeira, de 63 anos, a inflação não assusta. “Comprei um carro parcelado em 24 vezes. Por enquanto a inflação não está me assustando. Brasileiro sempre vive com dívida. Eu continuo comprando porque é o jeito."
O assessor econômico da Serasa orienta os consumidores a evitarem dívidas longas, com muitas parcelas. “As pessoas devem evitar o endividamento de longo prazo porque envolve uma incerteza maior. Não dá para saber se a pessoa estará empregada. Além disso, as taxas de juros são maiores”, afirmou. Entretanto, ele ressalta que um financiamento mais longo, para a compra de uma casa, por exemplo, pode ser tomado por quem não está muito endividado e se não for comprometer grande parte da renda com as parcelas. “Depende de quanto de renda ele vai comprometer, do perfil do tomador de crédito”, salienta Almeida.
Além das dívidas que envolvem muitas parcelas, Almeida sugere que os consumidores evitem o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. “O brasileiro vai pela facilidade do recurso disponível e não avalia o custo do crédito. Estas são modalidades que deveriam ser usadas apenas em situação de emergência, mas as pessoas usam o cheque especial como complemento de renda e usam o crédito rotativo várias vezes”, destaca.
Quando for necessário pegar um empréstimo, é preciso fazer comparações entre as modalidades e as taxas de juros, segundo os economistas. Para se ter uma ideia, enquanto a taxa de juros do cheque especial chegou a 174,6% ao ano, em março deste ano, o juro cobrado pelo crédito pessoal, incluídas as operações de empréstimo consignado, ficou bem mais baixo, em 47,3% ao ano, de acordo com dados do Banco Central (BC).
O economista Newton Marques considera que também é importante cortar despesas quando os gastos superam as receitas. “Se a pessoa já estiver endividada, é preciso cortar todas as despesas supérfluas e renegociar dívidas”, orienta.
Almeida explica que a inadimplência sobe em períodos de alta da inflação por dois motivos. Um deles é que o BC aumenta a taxa básica de juros, a Selic, para conter a inflação. Como a Selic serve de referência para as demais taxas, os juros dos empréstimos também sobem. Além disso, em momento de expectativa e de aumento da inadimplência, os bancos querem se proteger dos calotes e aí sobem ainda mais os juros.
“A inflação penaliza as classes mais baixas. As classes mais altas fazem aplicações financeiras que dão cobertura sobre a inflação. Além disso, as pessoas das classes mais baixas são novatas, têm pouca experiência em lidar com o crédito”, destaca Almeida. Fonte: Agência Brasil
Inflação rompe margem de segurança do governo pela 1ª vez em seis anos
A inflação rompeu a margem de segurança do governo no mês de abril, chegando a 6,51% (no índice acumulado em 12 meses), pela primeira vez desde julho de 2005 – quando ficou em 6,57%.
Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o aumento no preço dos combustíveis foi o grande responsável pelo descontrole. Pelo regime de metas do governo, a margem de segurança da inflação é de 4,5% ao ano, com possibilidade de oscilação de dois pontos para cima ou para baixo. Ou seja, o limite máximo aceitável seria o de 6,5%.
Em abril, o álcool e a gasolina contribuíram sozinhos com 39% da inflação registrada, colocando os combustíveis no topo da lista dos principais vilões da inflação em 2011, retirando assim a culpa do grupo Alimentos (que pressionava a inflação desde setembro de 2010).
Os preços do álcool subiram 11,2% em abril na comparação com março, totalizando assim 31,09% somente em 2011. Consequentemente, a alta influenciou diretamente o preço da gasolina, que subiu 6,26% em abril. Juntos, os combustíveis fizeram com que o grupo Transportes tivesse uma variação de 1,57%, na comparação com março.
De acordo com Eulina Nunes dos Santos, coordenadora do índice de preços do IBGE, os combustíveis foram o principal vilão da inflação do mês de abril – e se tornam o maior vilão da inflação no ano de 2011 – já que empurram cada vez mais a taxa para cima, mesmo com a redução significativa dos preços dos alimentos.
- A frota brasileira de carros flex (que utilizam gasolina e álcool) aumentou muitos nos últimos tempos, elevando demais a demanda por álcool, o que propicia aumento de preços. Já que os valores não estavam favoráveis ao álcool, o brasileiro buscou a gasolina, que pressionou o preço produto [já que o Brasil utiliza 25% de álcool no combustível.
Segundo Eulina, houve um choque de preços por conta da oferta e um impacto grande devido a dependência das famílias pelos combustíveis, já que aumentou o número de famílias motorizadas no Brasil.
Até março de 2011, as vendas de carros flex no Brasil chegavam a 84,5% do total comercializado, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
Álcool e gasolina Brasil afora
Até abril de 2011, de acordo com o IBGE, Goiás é o Estado brasileiro que registrou a maior alta do álcool, com valorização de 43,69%. Em seguida aparece o Paraná, com aumento de 37,15%; Rio Grande do Sul (34,41%); Distrito Federal (32,90%) e Rio de Janeiro (30,95%).
Já a gasolina, também no acumulado de 2011, ficou mais cara em Minas Gerais, com alta de 14,61%, acompanhada de Goiás (12,92%), São Paulo (10,87%), Rio Grande do Sul (10,53%) e Rio de Janeiro (88,99%). Fonte: Record
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Decisão de juros pelo Copom concentrará atenções do mercado nesta semana na agenda doméstica
Em semana mais curta por conta do feriado nacional, o principal destaque na agenda doméstica será a
decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima quarta-feira. Acreditamos que
a taxa Selic deverá ser elevada em 25 pontos base (pb), dando sequência ao ciclo de aperto da política
monetária, mas reduzindo o ritmo de elevação dos juros observado nos encontros de janeiro e março
(50 pbs). Apesar da piora recente da infl ação, avaliamos que prevalecerão sinais de moderação já em
curso do ritmo de expansão da atividade econômica e a contribuição da apreciação cambial superior
ao esperado. Também deverão ser monitorados com atenção os seguintes indicadores: (i) geração
de emprego formal de março pelo Caged, na terça-feira e (ii) IPCA-15 de abril na quarta-feira, para o
qual esperamos alta de 0,73%, e que deverá trazer núcleos menos pressionados do que nas leituras
anteriores. Vale também chamar atenção para o resultado da arrecadação de impostos e contribuições
de março, na terça-feira, divulgado pela Receita Federal. Na agenda internacional, as atenções deverão
se voltar para os PMIs tanto do setor manufatureiro quanto de serviços referentes a abril, na terça-feira,
para a Zona do Euro e Alemanha. Em seguida, destaque para a pesquisa IFO de sentimento econômico
na Alemanha e para o indicador de atividade industrial do Fed Filadelfi a, nos EUA, ambos referentes a
abril na quinta-feira.
decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima quarta-feira. Acreditamos que
a taxa Selic deverá ser elevada em 25 pontos base (pb), dando sequência ao ciclo de aperto da política
monetária, mas reduzindo o ritmo de elevação dos juros observado nos encontros de janeiro e março
(50 pbs). Apesar da piora recente da infl ação, avaliamos que prevalecerão sinais de moderação já em
curso do ritmo de expansão da atividade econômica e a contribuição da apreciação cambial superior
ao esperado. Também deverão ser monitorados com atenção os seguintes indicadores: (i) geração
de emprego formal de março pelo Caged, na terça-feira e (ii) IPCA-15 de abril na quarta-feira, para o
qual esperamos alta de 0,73%, e que deverá trazer núcleos menos pressionados do que nas leituras
anteriores. Vale também chamar atenção para o resultado da arrecadação de impostos e contribuições
de março, na terça-feira, divulgado pela Receita Federal. Na agenda internacional, as atenções deverão
se voltar para os PMIs tanto do setor manufatureiro quanto de serviços referentes a abril, na terça-feira,
para a Zona do Euro e Alemanha. Em seguida, destaque para a pesquisa IFO de sentimento econômico
na Alemanha e para o indicador de atividade industrial do Fed Filadelfi a, nos EUA, ambos referentes a
abril na quinta-feira.
Boletim diário
Novos ajustes das expectativas para a infl ação e taxa de câmbio foram destaques do Relatório
Focus da última semana
Na mesma direção da semana anterior, o Relatório Focus referente à semana até 15 de abril trouxe novo
ajuste para cima das expectativas de infl ação para este ano, somado à queda da estimativa para a taxa
de câmbio para este e o próximo ano, conforme divulgado há pouco pelo Banco Central. A projeção para
o IPCA deste ano passou de 6,26% para 6,29%, ao passo que as expectativas para 2012 mantiveram-se
em 5,0%. As expectativas de crescimento do PIB, por sua vez, permaneceram estáveis em 4,0% para
2011, e mostraram ligeiro aumento para 4,25% em 2012. Para a taxa de câmbio, as projeções moveramse
no sentido de maior apreciação, passando de R$/US$ 1,68 para R$/US$ 1,65 em 2011, e de R$/US$
1,72 para R$/US$ 1,71 em 2012. Por fi m, as expectativas para a taxa Selic para 2011 fi caram estáveis
em 12,25%, ao passo que mostraram nova elevação para 2012, passando de 11,50% para 11,75%.
Fonte: Bradesco
terça-feira, 12 de abril de 2011
A China é aqui - Por Ricardo Amorim
Nos EUA, são vendidos hoje cinco vezes menos imóveis do que há quatro anos. No Brasil, é impossível ir a uma cidade e não encontrar um mar de canteiros de obras
Há mais de 30 anos, a China cresce a um ritmo de quase 10% ao ano, causando inveja e alterando toda a ordem econômica global.
No Brasil, a crescente importância da economia chinesa é visível a olhos nus. Examine os produtos à sua volta neste exato momento e encontrará as inevitáveis etiquetas de made in China. Desde 1999, a corrente de comércio – soma de exportações e importações – entre Brasil e China saltou de US$ 1,5 bilhão para mais de US$ 55 bilhões.
No Brasil, a crescente importância da economia chinesa é visível a olhos nus. Examine os produtos à sua volta neste exato momento e encontrará as inevitáveis etiquetas de made in China. Desde 1999, a corrente de comércio – soma de exportações e importações – entre Brasil e China saltou de US$ 1,5 bilhão para mais de US$ 55 bilhões.
De carona na fome chinesa por nossas matérias-primas e na sua oferta abundante de capitais baratos para financiar investimentos e consumo no País, o Brasil dobrou seu ritmo de crescimento nos últimos sete anos para cerca de 5% ao ano. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm sustentado taxas de expansão bem maiores. Vários setores, em particular o imobiliário, o automotivo e o agronegócio crescem em ritmo de dar inveja até aos chineses.
Este crescimento acelerado colocou o Brasil em posição de destaque. Na última década, o País passou de quinto a segundo maior exportador do agronegócio no mundo, multiplicando por seis o superávit comercial do setor, passando de US$ dez bilhões a mais de US$ 60 bilhões. O crescimento do interior do País não deixa nada a dever ao dragão asiático.
No setor automotivo, a história não é diferente. De 2003 para cá, as vendas de automóveis no País aumentaram quase 150% – sustentando uma média anual de crescimento de quase 14% –, passando de 1,4 milhão a 3,5 milhões de unidades. O Brasil pulou de oitavo para quinto maior mercado de automóveis no planeta. Se o crescimento continuar parecido até a Copa do Mundo, teremos o terceiro mercado mundial de automóveis. Ainda assim, o número de automóveis por habitante no Brasil será três vezes menor do que nos EUA.
Quem você acha que continuará crescendo?
Quem você acha que continuará crescendo?
A importância do Brasil para as montadoras é também cada vez maior. Há anos, a Fiat já vende mais automóveis aqui do que na Itália. Talvez ainda neste ano, a Volkswagen venda mais automóveis no Brasil do que na Alemanha. Para a GM, o Brasil já é o terceiro mercado consumidor. Aliás, o primeiro é a China – que você achava ser o país da bicicleta – onde a venda de automóveis era 1/10 da dos EUA há dez anos, mas há dois anos tem superado o tradicional país do automóvel.
A mesma coisa acontece no setor imobiliário. Enquanto a contração nos mercados americano, europeu e japonês parece não ter fim, o mercado brasileiro vive o melhor momento da história. Nos EUA, são vendidos hoje menos imóveis do que há 50 anos, cinco vezes menos do que há quatro anos. No Brasil, é impossível ir a uma cidade e não encontrar um mar de canteiros de obras. A alta de preços dos imóveis ao longo dos últimos anos foi causada pela abundante oferta de crédito e consequente multiplicação dos compradores.
Aliás, é a expansão de crédito e renda nos países emergentes, onde o endividamento ainda é baixo, que deve manter esse quadro inalterado na próxima década, apesar de inevitáveis solavancos ao longo do caminho.
Você anda preocupado com as recentes manchetes comparando a alta de preços de imóveis no Brasil com a bolha imobiliária americana? Saiba que o crédito bancário ao setor imobiliário no Brasil não chega a 4% do PIB, 30 vezes menor do que nos EUA e 45 vezes menor do que na Suíça. Durma tranquilo em seu apartamento novo.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Reunião Matinal 06/04/2010
Ontem, o principal índice das ações brasileiras fechou em alta pelo sexto pregão consecutivo, mas não se sustentouacima de 70 mil pontos diante da falta de vigor das bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou o dia com valorização de0,19% aos 69.837 pontos e com volume negociado de R$ 7,03 bilhõesÉ fraca a agenda dos mercados nesta quarta-feira, aqui e nos EUA. No âmbito americano, o mercado esvaziou as apostas
de um aperto monetário no curto prazo, depois do discurso de Bernanke na segunda-feria à noite. A Ata do FED, por suavez, mostrou um comitê dividido - otimista com a recuperação econÔmica, mas preocupado e incerto com o rumo que ainflação pode tomar nos próximos meses. Para hoje, a agenda traz como destaque um discurso do presidente do FederalReserve de Atlanta, Dennis Lockhart, no encerramento da Conferência de Mercados Financeiros promovida pela instituição,às 13h (de Brasília).No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) lança dados da safra agrícola brasileira, contidos no Levantamento Sistêmico da Produção Agrícola. O órgão também divulgará a Pesquisa Industrial Mensal, mostrando a
produção física por regiões no País. No mercado asiático, o índice Nikkei fechou mais um pregão em queda, ainda com a aversão ao risco em foco, em decorrência da crise nuclear. Na China, após a elevação da
taxa de juro básico, os índices acionários registraram alta após o feriado que fechou a bolsa de Xangai nos
dois primeiros dias desta semana e a de Hong Kong na terça-feira. Os índices futuros norte-americanos voltam a se firmar em alta nesta manhã, em meio às apostas de que o Federal Reserve deverá manter o juro inalterado ao longo de 2011. Na Europa, as principais bolsas europeias tentam se firmar no azul nesta manhã, puxadas pelas varejistas e mineradores, enquanto os bancos puxavam para o campo negativo. Dentre as divulgações desta manhã, estava o PIB referente ao quarto trimestre de 2010 da Zona do Euro, que mostrou expansão de 0,3% em relação ao trimestre anterior, em linha com as expectativas.
de um aperto monetário no curto prazo, depois do discurso de Bernanke na segunda-feria à noite. A Ata do FED, por suavez, mostrou um comitê dividido - otimista com a recuperação econÔmica, mas preocupado e incerto com o rumo que ainflação pode tomar nos próximos meses. Para hoje, a agenda traz como destaque um discurso do presidente do FederalReserve de Atlanta, Dennis Lockhart, no encerramento da Conferência de Mercados Financeiros promovida pela instituição,às 13h (de Brasília).No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) lança dados da safra agrícola brasileira, contidos no Levantamento Sistêmico da Produção Agrícola. O órgão também divulgará a Pesquisa Industrial Mensal, mostrando a
produção física por regiões no País. No mercado asiático, o índice Nikkei fechou mais um pregão em queda, ainda com a aversão ao risco em foco, em decorrência da crise nuclear. Na China, após a elevação da
taxa de juro básico, os índices acionários registraram alta após o feriado que fechou a bolsa de Xangai nos
dois primeiros dias desta semana e a de Hong Kong na terça-feira. Os índices futuros norte-americanos voltam a se firmar em alta nesta manhã, em meio às apostas de que o Federal Reserve deverá manter o juro inalterado ao longo de 2011. Na Europa, as principais bolsas europeias tentam se firmar no azul nesta manhã, puxadas pelas varejistas e mineradores, enquanto os bancos puxavam para o campo negativo. Dentre as divulgações desta manhã, estava o PIB referente ao quarto trimestre de 2010 da Zona do Euro, que mostrou expansão de 0,3% em relação ao trimestre anterior, em linha com as expectativas.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Reunião Matinal 05/04/2011
Ontem, o pregão foi morno e os mercados trabalharam sustentando os lucros da última sexta-feira. Na Europa as bolsas fecharam sem direção comum e perto da estabilidade. Nos EUA, os principais índices ficaram em alta. No Brasil, o ego do investidor ficou inflado após a agência de classificação de risco Fitch elevar a nota do País em um grau. O Ibovespa teve alta de 0,63% aos 69.703 pontos e com volume negociado de R$ 5,80 bilhões. Para hoje nos EUA, a agenda de indicadores traz como destaque dados sobre a atividade do setor de serviços. Além disso, tem a divulgação, às 15h (de Brasília), da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve ocorrida em 15 de março. A ata deverá manter o tom otimista em relação à recuperação da economia americana, corroborado pelos indicadores recentes dando conta que o nível de atividade continua ganhando tração (com exceção do ainda debilitado mercado imobiliário). O documento do FOMC ainda deverá trazer comentários em relação à trajetória atual das commodities e do petróleo e a manutenção do cronograma do Quantitative Easining 2. Por aqui, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos sócio-econômicos) divulga a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, avaliando o valor do salário mínimo necessário para a manutenção de uma família, de acordo com o valor dos produtos que compõem a cesta básica. Dentre as notícias nesta manhã, o Banco do Povo da China elevou as taxas de juros em 0,25 ponto porcentual, em mais uma tentativa de controlar a inflação. Aqui, o BC anunciou a obrigatoriedade de operação de câmbio simultâneo nas renovações e repactuações de empréstimos externos. Na Europa, a agência de classificação de risco Moody's anunciou o corte do rating soberano de Portugal em três níveis, de A3 para Baa1, além de deixar a nota em revisão com a possibilidade de um novo corte, em função das crescentes incertezas políticas, econômicas e fiscais para o país. Refletindo esse quadro, as bolsas na Europa e os futuros nos Estados Unidos operam em queda. Na Ásia, o índice Nikkei (Tóquio) encerrou o pregão desta terça-feira em baixa refletindo as preocupações acerca da crise nuclear que se instaurou após o desastre natural do mês anterior, enquanto as bolsas na China estiveram fechadas para negociações nesta sessão, devido a um feriado nacional.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Reunião Matinal04/04/2011
Sexta-feira, a criação de vagas de emprego nos EUA acima do esperado em março animou a rodada de negócios deste primeiro de abril. Sem pegadinhas, os investidores aproveitaram o ambiente favorável e foram às compras. Na Europa, as bolsas fecharam no maior patamar em mais de três semanas. Nos EUA, os índices acionários ficaram no azul. No Brasil, o Ibovespa acompanhou o entusiasmo e também acabou no campo positivo. A segunda-feira tem poucos eventos previstos. Internamente, o BC divulga a pesquisa Focus, e a Fipe comenta o IPC. Nos EUA, o presidente do Fed, Bem Bernanke, discursa, assim como o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart. Sobre os mercados hoje, as bolsas de valores da Ásia atingiram o maior nível em quase três anos nesta segunda-feira, depois de fortes dados de emprego dos Estados Unidos alimentarem
o otimismo sobre a economia mundial. Na Europa e nos Futuros de Wall Street, os principais índices operam no campo positivo nesta manhã, no aguardo de uma semana que promete ser bem movimentada. Enquanto nos EUA as expectativas quanto ao timing de um aperto monetário dividem o comitê do FED, na Europa, o BCE deve elevar o juro nesta semana, pela primeira vez em quase três anos.
o otimismo sobre a economia mundial. Na Europa e nos Futuros de Wall Street, os principais índices operam no campo positivo nesta manhã, no aguardo de uma semana que promete ser bem movimentada. Enquanto nos EUA as expectativas quanto ao timing de um aperto monetário dividem o comitê do FED, na Europa, o BCE deve elevar o juro nesta semana, pela primeira vez em quase três anos.
A estrutura de capital austríaca e a macroeconomia: uma simbiose impossível
Considero um erro metodológico, e um prejuízo ao avanço do estudo da ciência econômica, a união dos princípios da mainstream economics (ME) com os da escola econômica austríaca (EEA), praticado por alguns dos seus defensores, dentro do campo da teoria de capital[*]. Ignoram a dimensão do disparate das suas pretensões ao colocar, no mesmo prisma, conceitos totalmente distintos do ponto de vista da ME e da EEA.
A diferença entre as escolas começa com o próprio conceito de equilíbrio econômico, mas se estendem ao do tempo, do capital, do investimento, da poupança, das taxas de juros e da renda. Os 'austríacos', a começar, não trabalham com situações de equilíbrio, mas com a economia em constante desequilíbrio. Ora são as quebras de safras, ora o aumento da demanda por um determinado produto, ora uma nova mercadoria que surge no mercado, entre tantos outros desbalanceamentos econômicos. Os empreendedores mais atentos, que conseguem perceber os desequilíbrios antes dos demais, entram comprando, vendendo, produzindo ou investindo. São ações movidas pelo lucro, mas que ajustam os desequilíbrios. Aliás, quanto mais inventiva for uma economia, mais desequilíbrios ela tenderá a gerar e, consequentemente, mais ganhos tenderá a propiciar aos empreendedores mais hábeis, sem contar que a maior parte dos desajustes estão relacionados à estrutura de capital.
Não é para menos que a estrutura de capital, devido à sua complexidade, é o local onde surgem as divergências mais acentuadas entre a ME e a EEA. Enquanto o tempo é uma categoria econômica para os austríacos, é negligenciado pelos defensores da mainstream economics, dando, por isso, uma interpretação unidimensional ao capital. Encobrem os seus aspectos multidimensionais, como a dimensão da sua estrutura, formada por vários estágios de produção, responsáveis pela fabricação dos bens intermediários (prédios, máquinas, equipamentos, matérias prima, insumos, entre outros) que vão integrar mais adiante a fabricação dos bens de consumo finais.
Quanto mais distante estiver cada estágio de produção do consumo, dado pelo tempo que leva da fabricação do bem intermediário até a venda dos bens de consumo final, maior será o juro implícito do negócio. Como a ME não trabalha com uma estrutura de capital multidimensional, desconsidera as funções específicas do tempo real, dos custos, dos juros, dos lucros e riscos integrados em cada etapa de produção. Se conhecessem todo esse intricado processo, talvez desistissem de somar o capital e de apresentá-lo de forma agregada, na tentativa de trabalhar com um conceito econômico - diga-se de passagem! - burro: a média.
Outra consideração importante dentro da teoria de capital austríaca é a impossibilidade de separação do conceito de investimento do de poupança, considerada coisas distintas pela ME: seus líderes desconhecem que a essência de ambos é a mesma. O capital, no seu longo trajeto da fabricação dos bens intermediários até os bens de consumo finais, gera renda, principalmente salários, juros e lucros. Era isso que Jean Baptiste-Say queria nos dizer na sua célebre frase: "é a oferta que gera a demanda". A poupança é a renda gerada e não gasta em bens de consumo. Contrário ao que a ME prega, a poupança não fica ociosa. Ela se mantém dentro do sistema econômico, investida na estrutura de produção intermediária (prédios, máquinas, matérias-primas, insumos e na própria mão-de-obra dos diversos estágios de produção, assim como na compra de bens de consumo duráveis) ou conservada como um poder de compra temporário.
Ainda que possa haver boa intenção dos "macroeconomistas mainstream", as tentativas de agregação desse complexo sistema não têm nexo verdadeiramente econômico. São elucubrações tão irreais quanto os "faz de conta" dos socialistas e estatistas na elaboração do cálculo econômico fora do mercado, criticada por Ludwig Von Mises, com uma analogia dos jogos de guerra, praticados por uma criança (ME), e uma verdadeira guerra, enfrentada em campo de batalha por um soldado (EEA). A agregação, da mesma forma, fornece resultados utópicos, irreais, sem validade teórica pelos mandamentos da EEA. Logo, não se trata de "purismo acadêmico", como alegam os macroeconomistas austríacos, mas uma batalha contra algo vazio ou com custos maiores do que benefícios.
Friedrich Von Hayek, a propósito, o maior mentor positivista da Teoria do Capital Austríaca e dos ciclos econômicos, faz um alerta no Prefácio do seu "La Teoria Pura del Capital", ao comentar que o intento de sistematização dentro da teoria de capital abre lacunas que deixam o conteúdo praticamente inútil para as análises complicadas. E os erros se acentuam nos estudos mais avançados dos ciclos econômicos. As agregações escondem que os excessos monetários ou creditícios, que levam aos 'booms', afetam os diversos estágios de produção de maneira heterogênea. Nos 'busts' (recessões), então, quando a atividade econômica para se recuperar precisa, antes, do desmanche dos investimentos e empregos malfeitos, a agregação não se torna apenas nula e inútil, mas fortemente nociva, abrindo o espaço para as incursões da ME, que acredita ser possível apagar o fogo usando mais gasolina (mais excessos monetários).
Ao passarmos, então, do estudo positivista da teoria do capital para o praxeológico, o erro das agregações e das diagramações sofisticadas se agiganta. Ludwig Von Mises, no seu "A Ação Humana", comenta que:
A Economia não é, como os ignorantes positivistas repetem a toda a hora, atrasada pela falta de mensuração quantitativa. Ela não é 'quantitativa' porque não trabalha com dados ou variáveis constantes.
Elas obscurecem a análise das ações empreendedoras dos indivíduos, feitas geralmente na busca da redução dos custos, dos prazos, da inovação tecnológica, dos novos meios de se fazer as escolhas, da melhora da qualidade dos bens de capital e do produto final.
A inutilidade dos resultados das agregações dentro da teoria de capital e dos ciclos econômicos torna-se saliente quando se analisa passo a passo as ações dos indivíduos. O maior custo das agregações, como se depreende, recai no aprendizado econômico. Os fundamentos praxeológicos deram força científica ao estudo da economia e das demais ciências sociais. Qualquer empecilho que venha a enfraquecer ou tolher a análise do emaranhado social e econômico dentro do campo da ação humana e da sua categoria universal, no tempo e no espaço, deve ser suprimido sob qualquer pretexto.
_______________________________________________
[*] Roger W. Garrisson, "Time and Money: The Macroeconomics of Capital Structure" (Veja o PowerPoint em português), traduzido e simplificado em "A Macroeconomia Da Estrutura De Capital", por Ubiratan Jorge Iorio (Fev/2010)
Alfredo Marcolin Peringer é economista e professor de economia e finanças. Possui vários trabalhos e artigos publicados em revistas e jornais, todos eles dentro da filosofia econômica e dos métodos proferidos pela escola austríaca. Já publicou dois livros: Monetarismo vs Keynesianismo vs Estruturalismo - Inflação, Desemprego e Taxas de Juros - 1985 (Editora Globo- RJ), eEconomia Heterodoxa vs Economia Ortodoxa - Os Planos Econômicos Brasileiros - 1989 (Editora Ortiz - RS). Seu website:http://www.professorperinger.blogspot.com/
Mulheres aderem mais que homens à previdência privada
O porcentual de aumento de participação das mulheres nos planos de previdência privada superou, pela primeira vez, o dos homens. A constatação é de um estudo realizado pela empresa de previdência privada Brasilprev, que analisou o perfil dos seus 1,3 milhão de clientes ao longo dos últimos cinco anos.
A participação das investidoras nos planos de previdência cresceu 47% nos últimos cinco anos - de 380 mil para 580 mil. Os homens, por sua vez, aumentaram a participação em 33% (de 553,8 mil para 738 mil) entre o início de 2006 e o fim de 2010.
Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista especializada em finanças comportamentais, explica que, além do aumento da renda que estimula o início dos investimentos, há o fator instintivo das mulheres, o que torna investimentos de longo prazo e com baixo risco (como é o caso da previdência) mais atraentes para elas. "Mulheres são mais conservadoras por natureza. Isso porque pensam no futuro. Elas, em geral, têm necessidade de constituir família. Querem casar e ter filhos", explica.
O interesse no investimento de longo prazo é detectado no estudo da Brasilprev. João Batista Mendes Angelo, superintendente de produtos da empresa, diz que 53,2% das clientes optaram pela tabela regressiva do Imposto de Renda - nessa modalidade, o porcentual de IR que incide sobre o investimento cai no decorrer do tempo. "Quem opta pela regressiva tem a intenção de manter o investimento por mais tempo para pagar menos imposto", explica Angelo. Ele diz ainda que o índice de adesão à tabela regressiva é de 49,4% entre os homens. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Mulheres já comandam maioria das novas empresas no Brasil
As mulheres já comandam a maioria das novas empresas no Brasil. E elas não têm medo de enfrentar o desconhecido.
Competentes e comprometidas com o trabalho, elas estão em todos os setores de atividades dos pais.
O mundo virtual, por exemplo, é hoje um imenso campo para os negócios, onde os grandes empreendedores ocupam espaço rapidamente. Mas os pequenos não ficam para trás e elas desbravam fronteiras na rede de computadores.
Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, um negócio que deu certo graças à persistência de Carmen Rojas.
Depois de trabalhar 10 anos com carteira assinada, ela resolveu abrir o próprio negócio. Mas por onde começar?
Primeiro apostou em material de limpeza, depois de construção, entre outros, até que em 2000, aos 50 anos, decidiu trabalhar com internet.
Mesmo sem saber nada de computadores, ela foi atrás, se informou, aprendeu. Queria montar um site de busca de negócio para os pequenos, já que só os grandões sabiam disso.
O trabalho foi de formiguinha. Carmen contratou estudantes para bater de porta em porta e recolher cartões empresariais. Ela reuniu assim 2.000 possíveis clientes. Foram três anos na informalidade e R$ 300 mil investidos em cursos, equipamentos e tecnologia.
Hoje mais de 20 mil clientes, entre micro e pequenas empresas se hospedam no site criado por Carmen para viabilizar seus negócios. Fonte: Record
Competentes e comprometidas com o trabalho, elas estão em todos os setores de atividades dos pais.
O mundo virtual, por exemplo, é hoje um imenso campo para os negócios, onde os grandes empreendedores ocupam espaço rapidamente. Mas os pequenos não ficam para trás e elas desbravam fronteiras na rede de computadores.
Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, um negócio que deu certo graças à persistência de Carmen Rojas.
Depois de trabalhar 10 anos com carteira assinada, ela resolveu abrir o próprio negócio. Mas por onde começar?
Primeiro apostou em material de limpeza, depois de construção, entre outros, até que em 2000, aos 50 anos, decidiu trabalhar com internet.
Mesmo sem saber nada de computadores, ela foi atrás, se informou, aprendeu. Queria montar um site de busca de negócio para os pequenos, já que só os grandões sabiam disso.
O trabalho foi de formiguinha. Carmen contratou estudantes para bater de porta em porta e recolher cartões empresariais. Ela reuniu assim 2.000 possíveis clientes. Foram três anos na informalidade e R$ 300 mil investidos em cursos, equipamentos e tecnologia.
Hoje mais de 20 mil clientes, entre micro e pequenas empresas se hospedam no site criado por Carmen para viabilizar seus negócios. Fonte: Record
quarta-feira, 30 de março de 2011
Mercado eleva estimativa de inflação para 6% neste ano, mas reduz Selic
A pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira, 28, mostra mais uma rodada de deterioração das expectativas de inflação do mercado financeiro. Para 2011, a mediana das previsões para o IPCA subiu de 5,88% para 6%, enquanto que para 2012, passou de 4,80% para 4,91%.
Para os próximos 12 meses, a expectativa para o IPCA suavizado passou de 5,36% para 5,45%. Entre as cinco instituições que mais acertam as previsões de médio prazo - Top 5 - a expectativa para o IPCA 2011 subiu de 6,31% para 6,42% e para 2012, de 5,10% para 5,18%.
O mercado elevou também a projeção para o IPCA de março de 0,52% para 0,62%. Para abril subiu de 0,48% para 0,53%. A projeção para o IPC Fipe 2011 subiu de 5,51% para 5,53% e para 2012 continuou em 4,70%.
Selic
O mercado financeiro reduziu de 12,50% para 12,25% ao ano a estimativa para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2011, após sete semanas de estabilidade na previsão. A redução na projeção ocorre depois de uma semana marcada por declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que indicou a possibilidade de novas medidas macroprudenciais e também tentou transmitir segurança de que a inflação vai recuar a partir do último trimestre deste ano.
Para o fim de 2012, a previsão para a Selic foi mantida em 11,25% ao ano. Já a estimativa para a taxa Selic média neste ano recuou de 12,22% para 12,06%, enquanto a estimativa da Selic média para o ano que vem subiu de 11,90% para 12%.
PIB
Pela quinta vez seguida, o mercado financeiro reduziu a sua projeção de crescimento da economia brasileira para 2011, que agora chegou a 4,00%, ante 4,03% no último levantamento da pesquisa semanal Focus, do Banco Central. Para 2012, a projeção recuou de 4,40% para 4,30% de expansão do País.
Para a produção industrial, as estimativas de crescimento para este e para o próximo ano foram mantidas em 4,00% e 4,70%, respectivamente.
IGP-DI
Assim como fez para o IPCA, o mercado financeiro elevou suas estimativas para os Índices Gerais de Preços, tanto em 2011 como em 2012. Para o IGP-DI, a mediana das expectativas para este ano subiu de 6,93% para 7,02%, enquanto que para o próximo ano, passou de 4,95% para 5%.
Para o IGP-M, a projeção para 2011 subiu de 6,97% para 6,99% e para 2012, de 4,89% para 4,90%. As expectativas de alta dos preços administrados em 2011 e 2012 foram mantidas, ambas, em 4,50%.
Câmbio
O mercado financeiro manteve suas estimativas para a taxa de câmbio em 2011 e 2012. Segundo a pesquisa semanal Focus, do Banco Central, a expectativa para a cotação do dólar no fim deste ano seguiu em R$ 1,70 e para o próximo, em R$ 1,75.
Para a taxa média de câmbio, a previsão para 2011 seguiu em R$ 1,68 e para 2012, em R$ 1,74. A previsão do mercado para a relação dívida líquida/PIB em 2011 cedeu de 39,45% para 39,40% e para 2012 foi mantida em 38%.
Déficit em conta corrente
O mercado financeiro reduziu sua projeção de déficit na conta corrente do balanço de pagamentos brasileiro em 2011 de US$ 64 bilhões para US$ 63,20 bilhões, segundo a pesquisa Focus. Para 2012, a expectativa segue de saldo negativo de US$ 70 bilhões.
Houve melhora na previsão de superávit na balança comercial para este ano de US$ 15 bilhões para US$ 15,50 bilhões e em 2012, de US$ 8,30 bilhões para US$ 9 bilhões. A expectativa para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) passou de US$ 42,50 bilhões para US$ 44 bilhões, mesmo valor que continua sendo previsto para 2012. Fonte: O Estadão Online
segunda-feira, 28 de março de 2011
Reunião Matinal 28/03/2011
Na sexta-feira, os problemas na Europa, as tensões na Líbia e as complicações econômicas do Japão após o
terremoto não foram páreo para o apetite do investidor às compras. As bolsas lá fora apresentaram ganhos
consistentes. O Brasil acompanhou e o Ibovespa fechou em alta na sexta-feira. A longa lista de riscos - com a disparada do petróleo e o ressurgimento da crise de dívida europeia - está sendo totalmente ignorada. Desde a semana passada, as praças globais decidiram parar de se preocupar com as complicações geopolíticas e engataram alta, em um surpreendente estado de resistência. Para esta semana, os investidores devem ficar atentos aos novos sinais de mudança na política monetária dos EUA. Neste fim de semana, outro presidente regional do FED sugeriu que pode ser antecipado o fim do programa de compras de Treasuries, agora que a economia se fortalece e a inflação ameaça. Aqui, a semana pode ser decisiva para a definição de novas medidas macroprudenciais, com dados do crédito do BC (amanhã) e o Relatório Trimestral de Inflação (quinta-feira). Para hoje, temos uma segunda-feira cheia de eventos. Internamente, serão divulgadas a confiança do Consumidor, apurada pela FGV, o INCC-M e a pesquisa Focus. Nos EUA, saem os dados de gastos pessoais e o índice PCE, as vendas pendentes de imóveis e os dados de atividade do Fed de Dallas. Nos mercados, as principais bolsas da Ásia começaram a semana sem uma direção única. Nesta segunda-feira, houve bolsas que seguiram a alta em Wall Street na sexta-feira. Outros pregões, contudo, realizaram lucros e reagiram a fatores
econômicos de cada país. Na Europa, os principais índices operam próximos a estabilidade, e nos Estados Unidos os futuros sinalizam uma abertura ligeiramente positiva. Os investidores se mostram divididos entre os riscos que pairam sobre os mercados, e a expectativa de resoluções positivas para os problemas atuais.
terremoto não foram páreo para o apetite do investidor às compras. As bolsas lá fora apresentaram ganhos
consistentes. O Brasil acompanhou e o Ibovespa fechou em alta na sexta-feira. A longa lista de riscos - com a disparada do petróleo e o ressurgimento da crise de dívida europeia - está sendo totalmente ignorada. Desde a semana passada, as praças globais decidiram parar de se preocupar com as complicações geopolíticas e engataram alta, em um surpreendente estado de resistência. Para esta semana, os investidores devem ficar atentos aos novos sinais de mudança na política monetária dos EUA. Neste fim de semana, outro presidente regional do FED sugeriu que pode ser antecipado o fim do programa de compras de Treasuries, agora que a economia se fortalece e a inflação ameaça. Aqui, a semana pode ser decisiva para a definição de novas medidas macroprudenciais, com dados do crédito do BC (amanhã) e o Relatório Trimestral de Inflação (quinta-feira). Para hoje, temos uma segunda-feira cheia de eventos. Internamente, serão divulgadas a confiança do Consumidor, apurada pela FGV, o INCC-M e a pesquisa Focus. Nos EUA, saem os dados de gastos pessoais e o índice PCE, as vendas pendentes de imóveis e os dados de atividade do Fed de Dallas. Nos mercados, as principais bolsas da Ásia começaram a semana sem uma direção única. Nesta segunda-feira, houve bolsas que seguiram a alta em Wall Street na sexta-feira. Outros pregões, contudo, realizaram lucros e reagiram a fatores
econômicos de cada país. Na Europa, os principais índices operam próximos a estabilidade, e nos Estados Unidos os futuros sinalizam uma abertura ligeiramente positiva. Os investidores se mostram divididos entre os riscos que pairam sobre os mercados, e a expectativa de resoluções positivas para os problemas atuais.
sábado, 26 de março de 2011
A Crise do Crédito Visualizada - Parte 1
Para quem quiser se aprofundar mais no assunto e nos motivos que geraram o grande boom Imobiliário nos Estados Unidos e ver como que aconteceu o estouro da bolha em 2008 aconselhamos assistir o documentário "Inside Job" (Trabalho Interno) que mostra detalhadamente o que houve de errado com o sistema financeiro.
Acredito que o documentário não deve possuir o áudio em português mas já há por aí o documentário com legendas.
Pelo que vi o filme em dvd foi lançado a pouco tempo.
http://www.apoderosa.com.br/dvd-trabalho-interno-em-breve,product,32507,311.aspx
Acredito que o documentário não deve possuir o áudio em português mas já há por aí o documentário com legendas.
Pelo que vi o filme em dvd foi lançado a pouco tempo.
http://www.apoderosa.com.br/dvd-trabalho-interno-em-breve,product,32507,311.aspx
Explicando a recente disparada dos preços no Brasil
E
Economistas seguidores da teoria keynesiana — a qual diz que aumentos da quantidade de dinheiro geram crescimento econômico sem, contudo, necessariamente gerar inflação — discordam que a atual onda de aumento de preços vivenciada pela economia brasileira, especialmente nos alimentos, esteja relacionada com a política monetária mais expansiva adotada pelo Banco Central brasileiro.
Para eles, o atual aumento nos preços dos alimentos — o qual é um fenômeno mundial, vale ressaltar — está relacionado a fatores climáticos, como condições meteorológicas ruins na Rússia e na Austrália, além de secas e enchentes (sim, ambas ao mesmo tempo) no Rio Grande do Sul.
Embora seja indiscutível que fatores climáticos afetem os preços dos alimentos, esses economistas precisam explicar por que então os preços de todas as commodities não alimentícias vêm sofrendo altas substanciais recentemente. Mais ainda: como isso é possível em um mundo ainda em recessão.
Particularmente no Brasil, não foram só os alimentos que encareceram. Estes encareceram de maneira mais sensível, é fato. O feijão e a carne, por exemplo, nos últimos 12 meses encareceram mais de 50%. Fatores climáticos realmente podem explicar essa disparada de preço. Mas apenas os fatores climáticos não explicam tudo — afinal, os preços dos bens de consumo duráveis e não-duráveis e dos serviços também estão em forte ascensão.
De acordo com dados da FGV e do IBGE, nos últimos 12 meses, hotéis e empregadas domésticas encareceram 12%. Médico, 11%. Dentista e cabeleireiro, 8%. Custos relacionados à habitação subiram mais de 13%. No geral, os serviços encareceram 7,89% no período de 12 meses encerrado em janeiro. Passagens aéreas subiram 14%.
Voltando ao setor de comidas e bebidas: restaurante, 11%. Frango, 16%. Leite, 18%. Laranja, 31%. Picanha, 42%. Filé-mignon, 52%. Feijão, 63%.
Já na construção civil, apenas em 2010 os custos gerais subiram quase 8%, sendo que os preços da mão-de-obra aumentaram mais de 10%.
Por fim, em termos ainda mais notórios, o índice de preços por atacado — que mede os preços em diversos estágios do processo produtivo, principalmente os preços dos bens de capital (produtos industriais, máquinas e equipamentos) utilizados na indústria de transformação — apresentou um aumento de 14,18% de janeiro de 2010 a janeiro de 2011.
Vale ressaltar que foi apenas nos dois últimos meses de 2010 que a disparada dos alimentos se fez mais notória. Logo, não faz sentido econômico dizer que médicos, dentistas, cabeleireiros, empregadas domésticas, hotéis, companhias aéreas e pecuaristas estão reajustando e acelerando seus preços em função dos custos do feijão e da carne. Da mesma forma, não faz sentido econômico dizer que o cimento, os salários dos peões e os vergalhões encareceram por causa do frango.
Em termos estritamente econômicos, é preciso estar havendo um estímulo maior do que isso. No caso, está havendo uma forte criação de dinheiro por parte do Banco Central e do sistema bancário de reservas fracionárias. Sim, os preços dos alimentos aumentaram também por causa de fatores climáticos. Mas tal aumento foi intensificado pelos efeitos estritamente monetários. Foram também exclusivamente fatores monetários que provocaram elevações gerais nos preços dos bens e serviços da economia brasileira, como veremos a seguir.
Todos os detalhes essenciais da economia brasileira desde 2003 foram explicitados nesse artigo, inclusive o comportamento da economia durante a recessão de 2009. Logo, não há necessidade de repetir os mesmos detalhes aqui.
No presente texto, vou me concentrar mais detidamente na evolução dos meios fiduciários desde outubro de 2008. O que são meios fiduciários, a importância de sua mensuração e o porquê dessa data específica serão explicitados a seguir.
A criação de meios fiduciários — explicando o básico
Um aumento geral e contínuo nos preços dos bens e serviços de uma economia — incluindo-se aí o fenômeno da formação de bolhas (as mais conhecidas são aquelas que se formam na bolsa de valores e no mercado imobiliário) — é um fenômeno que só pode ser mantido se houver um processo de contínua expansão do crédito. Isto é, se houver a criação e o subsequente empréstimo de dinheiro por meio do sistema bancário, o qual opera com a sanção e o apoio do Banco Central.
Expansão do crédito é um fenômeno que depende de dois conceitos relacionados à moeda: dinheiro padrão e meios fiduciários. (Embora o que eu vá explicar abaixo seja extremamente básico para quem já é iniciado no assunto, vale a pena fazer o esforço de acompanhar o raciocínio).
O dinheiro padrão é o dinheiro físico propriamente dito: as cédulas e moedas metálicas, ambas as quais constituem o meio de pagamento final. Isto é, elas não precisam ser trocadas por nenhum outro instrumento de pagamento; elas por si só já representam o pagamento final.
Além das cédulas e moedas metálicas, uma outra variável que também é considerada dinheiro padrão são osdepósitos compulsórios que os bancos são obrigados a manter depositados junto ao Banco Central. O compulsório representa uma porcentagem do total dos depósitos em conta-corrente que os bancos têm de manter como reservas à parte, e eles podem fazer isso tanto na forma de encaixes (dinheiro em seus cofres) quanto na forma de depósitos junto ao Banco Central. Trata-se de um mecanismo de controle da expansão monetária. (Caso não esteja familiarizado com o tema, leia mais detalhes aqui, na seção "O Compulsório").
Quanto menor for o porcentual do compulsório, maior será a quantidade de dinheiro que os bancos podem criar via empréstimos. Os bancos criam dinheiro (eletronicamente) em uma quantia que é inversamente proporcional à taxa do compulsório. No Brasil, o compulsório está atualmente em 32%, o que significa que os bancos podem criar dinheiro no valor de até 3,1 vezes o total de reservas compulsórias (1/0,32).
Funciona assim: João deposita R$ 10.000 em sua conta-corrente no Banco A. João pode até achar que esses R$ 10.000 ficarão ali parados, como um carro em um estacionamento pago, mas não ficarão. Como o sistema bancário é de reservas fracionárias, os bancos mantêm como reservas apenas parte do dinheiro que neles foi depositado. Assim, o Banco A vai guardar uma parte desse dinheiro (digamos, R$ 3.200) e emprestar o restante (R$ 6.800) para José. José vai gastar esse dinheiro de alguma forma, e ele (o dinheiro) inevitavelmente acabará sendo depositado em outro banco, o Banco B. O Banco B vai guardar uma parte desse dinheiro (digamos, R$ 2.176) e emprestar o restante (R$ 4.624) para Antônio, que adotará o mesmo procedimento de José, dando assim continuidade ao ciclo. Ao mesmo tempo em que o dinheiro de João foi sendo "passado adiante", o próprio João continua tendo acesso integral a esse mesmo dinheiro (que é seu), seja emitindo cheques ou utilizando cartão de débito. Dessa forma, os R$ 10.000 iniciais se multiplicaram.
Portanto, se um banco tiver R$ 10 bilhões de reais em depósitos em conta-corrente, ele será obrigado a manter R$ 3.200.000.000 (três bilhões e duzentos milhões) como reservas, tanto na forma de depósitos junto ao Banco Central quanto na forma de encaixes em seus cofres (a soma dos dois deve totalizar 32%). Atualmente, os bancos ficam com 18% na forma de encaixes e 14% na forma de depósitos junto ao Banco Central.
Esses depósitos junto ao Banco Central estão na forma de moeda eletrônica, meros dígitos nos computadores do Banco Central.
E por que então esse dinheiro depositado junto ao Banco Central, que é eletrônico, é considerado também dinheiro padrão? Porque os bancos, quando necessário, sempre podem requisitar ao Banco Central parte desse dinheiro "preso". Nesse caso, o Banco Central, que tem o poder monopolista de imprimir moeda quando quiser, irá simplesmente imprimir (via Casa da Moeda) a quantia necessária e enviá-la (via carro-forte) ao banco demandante. Este poderá utilizar esse dinheiro para colocar em seus cofres ou em seus caixas eletrônicos 24h.
Sendo assim, um banco ter R$ 1.400.000.000 (14% de dez bilhões) depositados junto ao Banco Central é o equivalente a ter essa mesma quantia em seus cofres.
Com isso, temos definido os componentes do dinheiro padrão: a soma das cédulas e moedas metálicas de fato criadas pelo Banco Central (que estão em posse tanto das pessoas e empresas quanto nos cofres dos bancos) mais os depósitos compulsórios eletrônicos que os bancos mantêm depositados junto ao Banco Central. No jargão economicista, isso chama-se base monetária, e está totalmente sob controle direto do Banco Central. É sobre a base monetária que todo o sistema bancário, coordenado e protegido pelo Banco Central, irá criar mais dinheiro eletrônico (via criação de contas-correntes), expandindo a quantidade total de dinheiro na economia.
Em outubro de 2008, a base monetária era de R$ 139,8 bilhões. Em novembro de 2010, ela já estava em R$ 177,8 bilhões. E na primeira quinzena de fevereiro, o valor já era de R$ 186,7 bilhões. (Ignorarei os meses de dezembro e janeiro porque são meses em que a oferta monetária aumenta temporariamente para acomodar as demandas por moeda geradas pelas festas de fim de ano, 13º e afins.)
A esmagadora fatia da base monetária é formada pela variável "cédulas e moedas metálicas", as quais subiram de R$ 99,7 bilhões em outubro de 2008 para R$ 133,1 bilhões em novembro de 2010, e depois para R$ 142,4 bilhões na primeira quinzena de fevereiro (compare esses valores com os valores totais da base monetária nas respectivas datas no parágrafo acima).
A soma dos depósitos compulsórios junto ao banco central mais a fatia dessas cédulas e moedas metálicas que está em posse da rede bancária (em cofres ou em caixas 24h) totalizam, como foi dito acima, as reservas bancárias. Essas reservas são utilizadas para atender aos pedidos daqueles clientes que querem sacar dinheiro, bem como para fazer a compensação de cheques que estão em posse de outros bancos. E é exatamente sobre essas reservas que o sistema bancário de reservas fracionárias cria dinheiro para fazer empréstimos.
Em outubro de 2008, as reservas bancárias eram de R$ 40,1 bilhões. Em novembro de 2010, elas estavam em R$ 44,7 bilhões, voltando a cair para R$ 44,5 bilhões na primeira quinzena de fevereiro.
Esses números já denotam uma anomalia. Normalmente, se a quantidade de dinheiro no sistema econômico aumenta — tanto em termos da base monetária como um todo quanto em termos das cédulas e moedas metálicas —, as reservas bancárias também aumentam na mesma proporção. No entanto, ao passo que a quantidade de cédulas e moedas metálicas aumentou mais de 33% de outubro de 2008 a novembro de 2010 (tal aumento pula para mais de 42% quando se considera fevereiro), o aumento na quantidade de reservas bancárias foi de meros 11% nesse mesmo período.
Essa anomalia é consequência de um fato: em novembro de 2008, como resposta à crise financeira mundial e a consequente contração do crédito, o Banco Central brasileiro reduziu o valor do compulsório de 35% para 26%, liberando um grande volume de dinheiro para os bancos emprestarem e sobre os quais, por meio do processo de reservas fracionárias, criarem mais dinheiro eletrônico. O que nos leva aos meios fiduciários.
Meios fiduciários, para utilizar a definição técnica, são os depósitos bancários que podem ser utilizados como meios de pagamento e que não estão lastreados por dinheiro padrão, seja esse dinheiro alguma commodity como ouro ou simplesmente cédulas de papel-moeda. Ou seja, trata-se da moeda escritural que não tem nenhuma reserva lastreando-a, pois foi criada do nada pelo sistema bancário. Ou, para ficar no popular, é o dinheiro que você utiliza como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos dos bancos junto ao Banco Central. Repetindo: trata-se de um dinheiro sem lastro.
Grande parte da oferta monetária brasileira atual é formada por meios fiduciários na forma de depósitos em conta-corrente. Todas as outras aplicações financeiras (sejam elas depósitos a prazo, renda fixa, curto prazo, multimercado, referenciado, ações etc.) são meros papeis que, para serem convertidos em dinheiro, precisam antes ser vendidos para algum agente obviamente disposto a comprá-los. E este só irá fazê-lo se tiver dinheiro disponível em sua conta-corrente. Portanto, os depósitos em conta-corrente definem, em última instância, a oferta monetária da economia brasileira.
A oferta monetária, portanto, é definida como as cédulas e moedas metálicas em poder do público mais "aqueles substitutos monetários que podem ser redimidos em dinheiro sob demanda e, por meio de cheques ou cartão de débito, funcionam como equivalentes ao dinheiro no mercado".
Traduzindo para o popular, oferta monetária = cédulas e moedas metálicas em poder do público + os depósitos em conta-corrente. Em economês, tal agregado é conhecido como M1.
Na primeira quinzena de fevereiro, o total da oferta monetária brasileira estava em R$ 265,99 bilhões. Ao mesmo tempo, a base monetária estava em R$ 186,68 bilhões. Correspondentemente, o total de meios fiduciários era igual à diferença entre ambos, a qual foi de R$ 79,3 bilhões. Esse valor corresponde ao total de dinheiro eletrônico utilizável como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos dos bancos junto ao Banco Central. É um dinheiro sem lastro.
Todo o dinheiro que os bancos possuem para restituir os depósitos em conta-corrente são as suas reservas, que estavam, como dito, em R$ 44,5 bilhões em fevereiro. Esses R$ 44,5 bilhões eram todo o dinheiro padrão disponível em suas reservas para lastrear um total de R$ 123,8 bilhões em depósitos em conta-corrente — isto é, depósitos igual à soma de R$ 44,5 bilhões + R$ 79,3 bilhões. Em outras palavras, havia 100% de reservas lastreando R$ 44,5 bilhões e absolutamente nada para lastrear R$ 79,3 bilhões, que assim são classificados como meios fiduciários.
E para que estou fazendo essa matemática toda? Simples. Como explicou George Reisman em seu livroCapitalism, a quantidade de meios fiduciários em qualquer momento representa o acumulado total de toda a expansão de crédito ocorrida na oferta monetária do país até aquele momento. Ela representa a soma de todos os empréstimos que o sistema bancário de reservas fracionárias fez baseando-se na criação de dinheiro sem qualquer lastro.
E o principal: a diferença entre a quantidade de meios fiduciários entre dois períodos de tempo representa exatamente a expansão do crédito ocorrida nesse intervalo.
Sendo assim, vejamos.
Em outubro de 2008, um mês antes de o Banco Central diminuir o compulsório, o total de meios fiduciários — diferença entre o M1 e a base monetária — era de R$ 56,1 bilhões. Em novembro de 2010, os meios fiduciários já totalizavam R$ 75,4 bilhões. E aumentaram para R$ 79,3 bilhões na primeira quinzena de fevereiro.
Portanto, a expansão do crédito ocorrida no período de outubro de 2008 a novembro de 2010, em decorrência tanto da redução do compulsório feita pelo Banco Central em novembro de 2008 quanto do aumento da base monetária e consequente aumento da expansão monetária via sistema bancário de reservas fracionárias, foi de34,4% — algo em torno de 1,19% ao mês ou 15,25% por ano.
Se considerarmos o período até a primeira quinzena de fevereiro, então, o aumento total nos meios fiduciários (logo, na expansão do crédito) foi de 41,3% — algo em torno de 1,24% ao mês ou 15,94% por ano. Em termos nominais, isso significa que o sistema bancário de reservas fracionárias criou R$ 828 milhões por mês ou R$ 27,62 milhões por dia.
O gráfico a seguir mostra a evolução dos meios fiduciários desde janeiro de 2002. Vale observar a expansão ocorrida em 2007, seguida da estagnada de 2008, que culminou na recessão de 2009. Observe também o efeito da redução no compulsório ocorrida em novembro de 2008. Por fim, observe que, desde outubro de 2009, os meios fiduciários estão em expansão contínua. (Ignore os solavancos típicos dos meses de dezembro e janeiro).
Expansão dos meios fiduciários

Causas e efeitos
Mas o que, afinal, provocou essa expansão recente dos meios fiduciários (rivalizada apenas pela de 2007)? É claro que a expansão monetária do Banco Central, em conjunto com sua política de redução do compulsório, teve um papel fundamental nisso tudo. O sistema bancário de reservas fracionárias, por sua vez, se encarregou de ampliar os efeitos. Mas houve um outro fato que auxiliou sobremaneira nesse aumento: a postura fiscal extremamente frouxa que vem sendo adotada pelo governo federal desde meados de 2009.
O gráfico a seguir mostra o quanto o governo federal tomou emprestado por mês do sistema bancário nacional.

Veja que, a partir de meados de 2009, o governo federal aumenta sobremaneira a quantidade de recursos que ele toma do setor bancário. Nesse artigo, expliquei que um dos motivos dessa explosão foi a nova política corporativista do BNDES, que passou a conceder empréstimos subsidiados para grandes empresas utilizando dinheiro levantado pelo Tesouro junto aos bancos. No artigo linkado, há os detalhes dessa operação.
Outro motivo desse aumento foram os sucessivos déficits orçamentários que o governo passou a apresentar, consequência do aumento pornográfico dos gastos.
O que importa aqui, no entanto, é entender que o fato de o governo federal aumentar a quantidade de dinheiro que ele pega emprestado junto aos bancos provoca uma expansão da oferta monetária — e, consequentemente, dos meios fiduciários. Como?
Quando o governo federal pega empréstimos junto ao sistema bancário — por exemplo, emitindo títulos públicos —, ele está obviamente sugando dinheiro que poderia ir para investimentos produtivos e gastando-o em benefício de políticos e grupos favorecidos.
Mas além de reduzir a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos para o setor privado, essa postura do governo também faz com que a quantidade de dinheiro disponível para o mercado interbancário (aquele em que os bancos emprestam uns para os outros com o intuito de manter suas reservas compulsórias nos níveis estipulados pelo Banco Central) fique reduzida, pois agora há dinheiro sendo demandado de todos os lados.
Nesse cenário, caso o Banco Central nada fizesse, a tendência seria que a taxa de juros desse mercado interbancário subisse muito. E a taxa de juros do mercado interbancário, como se sabe, nada mais é do que a SELIC. Mas como o Banco Central trabalha com uma meta para a SELIC, ele não pode deixar que ela suba. Consequentemente, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário justamente para evitar que ela aumente muito. E o dinheiro que o Banco Central injeta no sistema bancário vai direto para as reservas bancárias, reiniciando todo o processo acima descrito de expansão da oferta monetária via reservas fracionárias e consequente criação de meios fiduciários.
E assim chegamos a esse fenômeno atual: o governo, incorrendo em grandes déficits, está sugando cada vez mais dinheiro do setor bancário, o que pressiona a SELIC. Consequentemente, o Banco Central tem de injetar cada vez mais dinheiro no sistema bancário apenas para impedir que a SELIC suba muito. Se ele simplesmente reduzir a quantidade de injeções monetárias, a SELIC subirá além da meta.
É assim que, no atual sistema monetário, os déficits do governo são inflacionários.
E é esse arranjo que vem fazendo com que a base monetária, o volume de depósitos em conta-corrente, os meios fiduciários e o volume de crédito cresçam em níveis vertiginosos.
Consequências?
Como explica a teoria desenvolvida pela Escola Austríaca de economia, uma expansão dos meios fiduciários que provoque uma redução na taxa real de juros irá estimular investimentos em projetos de longo prazo, principalmente aqueles empreendimentos que fazem uso mais intenso de bens de capital, como produtos industriais, máquinas e equipamentos. Consequentemente, os preços tanto da mão-de-obra quanto dos equipamentos utilizados nessas indústrias irão subir muito mais rapidamente que os preços de bens de consumo não-duráveis.
Um exemplo claro desse fenômeno, e já descrito aqui há quase um ano, é o da bolha imobiliária brasileira, com o contínuo aumento tanto do preço dos imóveis quanto dos custos dos empreendimentos imobiliários, dos materiais utilizados na construção civil e da mão-de-obra.
Outro exemplo claro pode ser visto no comportamento dos preços dos bens de capital (produtos industriais, máquinas e equipamentos) utilizados na indústria de transformação, os quais apresentaram, como informado no início desse artigo, um aumento acumulado de 14,18% de janeiro de 2010 a janeiro de 2011. Veja o comportamento dos preços no gráfico abaixo:

Observe que a expansão dos meios fiduciários gera um aumento contínuo e sustentado nos preços dos bens de capital a partir de meados de 2006, intensificando-se a partir de meados de 2007, bem de acordo com o gráfico dos meios fiduciários. Esse crescimento atinge o ápice em setembro de 2008, quando a inevitável contração do crédito começa a derrubar os preços desses bens, fazendo inclusive com que eles apresentem deflação acumulada durante o primeiro semestre de 2009. Como também explica a teoria dos ciclos econômicos da Escola Austríaca, quando há uma contração do crédito (isto é, redução abrupta no crescimento dos meios fiduciários), os preços desses setores são os que mais decrescem, podendo inclusive apresentar deflação. (Novamente, veja maiores detalhes dessa ocorrência na economia brasileira nesse artigo).
A partir de meados de 2009, com o forte crescimento dos meios fiduciários, os preços desses bens de capital não apenas voltam a subir, como também sua ascensão é vertiginosa, ainda mais rápida do que a ocorrida em 2006/2007.
E desta vez, ao contrário de 2007/2008, os preços tanto dos bens de consumo não-duráveis quanto dos serviços também vêm apresentando substantiva expansão. Os preços dos alimentos, que subiriam de qualquer forma em decorrência dos fatores climáticos, foram intensificados pelas políticas monetárias expansionistas que estão ocorrendo em escala mundial.
Conclusão
Neste artigo, com a intenção de se evitar prolongamentos desnecessários, não foi discutido o efeito que políticas monetárias expansivas têm sobre a distribuição de renda e sobre o crescimento econômico. Quanto a este último, sempre vale a pena ressaltar que, embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Mais ainda: elas determinam os tipos de bens que serão produzidos, bem como suas quantidades relativas. Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. A única coisa que a inflação e o crédito fazem é provocar uma alteração na valoração de bens, serviços e salários, e uma consequente realocação de recursos.
Os preços no Brasil — não só os dos alimentos — estão em alta. A inflação dos últimos doze meses (fechada em janeiro) apontou aumento de 5,99% para o IPCA, 6,53% para o INPC, 7,41% para o IPC, 11,50% para o IGP-M, 14,18% para o IPA-M e 28,40% para o IPA dos produtos agrícolas.
Essa sopa de siglas é o de menos. O que importa saber é que toda essa inflação de preços está ocorrendo em uma época em que o câmbio está em seu nível mais apreciado da história (o que significa que as importações nunca foram tão baratas). Logo, toda a inflação de preços por que passamos tem três culpados bem definidos: o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o sistema bancário de reservas fracionárias.
Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.
Economistas seguidores da teoria keynesiana — a qual diz que aumentos da quantidade de dinheiro geram crescimento econômico sem, contudo, necessariamente gerar inflação — discordam que a atual onda de aumento de preços vivenciada pela economia brasileira, especialmente nos alimentos, esteja relacionada com a política monetária mais expansiva adotada pelo Banco Central brasileiro.
Para eles, o atual aumento nos preços dos alimentos — o qual é um fenômeno mundial, vale ressaltar — está relacionado a fatores climáticos, como condições meteorológicas ruins na Rússia e na Austrália, além de secas e enchentes (sim, ambas ao mesmo tempo) no Rio Grande do Sul.
Embora seja indiscutível que fatores climáticos afetem os preços dos alimentos, esses economistas precisam explicar por que então os preços de todas as commodities não alimentícias vêm sofrendo altas substanciais recentemente. Mais ainda: como isso é possível em um mundo ainda em recessão.
Particularmente no Brasil, não foram só os alimentos que encareceram. Estes encareceram de maneira mais sensível, é fato. O feijão e a carne, por exemplo, nos últimos 12 meses encareceram mais de 50%. Fatores climáticos realmente podem explicar essa disparada de preço. Mas apenas os fatores climáticos não explicam tudo — afinal, os preços dos bens de consumo duráveis e não-duráveis e dos serviços também estão em forte ascensão.
De acordo com dados da FGV e do IBGE, nos últimos 12 meses, hotéis e empregadas domésticas encareceram 12%. Médico, 11%. Dentista e cabeleireiro, 8%. Custos relacionados à habitação subiram mais de 13%. No geral, os serviços encareceram 7,89% no período de 12 meses encerrado em janeiro. Passagens aéreas subiram 14%.
Voltando ao setor de comidas e bebidas: restaurante, 11%. Frango, 16%. Leite, 18%. Laranja, 31%. Picanha, 42%. Filé-mignon, 52%. Feijão, 63%.
Já na construção civil, apenas em 2010 os custos gerais subiram quase 8%, sendo que os preços da mão-de-obra aumentaram mais de 10%.
Por fim, em termos ainda mais notórios, o índice de preços por atacado — que mede os preços em diversos estágios do processo produtivo, principalmente os preços dos bens de capital (produtos industriais, máquinas e equipamentos) utilizados na indústria de transformação — apresentou um aumento de 14,18% de janeiro de 2010 a janeiro de 2011.
Vale ressaltar que foi apenas nos dois últimos meses de 2010 que a disparada dos alimentos se fez mais notória. Logo, não faz sentido econômico dizer que médicos, dentistas, cabeleireiros, empregadas domésticas, hotéis, companhias aéreas e pecuaristas estão reajustando e acelerando seus preços em função dos custos do feijão e da carne. Da mesma forma, não faz sentido econômico dizer que o cimento, os salários dos peões e os vergalhões encareceram por causa do frango.
Em termos estritamente econômicos, é preciso estar havendo um estímulo maior do que isso. No caso, está havendo uma forte criação de dinheiro por parte do Banco Central e do sistema bancário de reservas fracionárias. Sim, os preços dos alimentos aumentaram também por causa de fatores climáticos. Mas tal aumento foi intensificado pelos efeitos estritamente monetários. Foram também exclusivamente fatores monetários que provocaram elevações gerais nos preços dos bens e serviços da economia brasileira, como veremos a seguir.
Todos os detalhes essenciais da economia brasileira desde 2003 foram explicitados nesse artigo, inclusive o comportamento da economia durante a recessão de 2009. Logo, não há necessidade de repetir os mesmos detalhes aqui.
No presente texto, vou me concentrar mais detidamente na evolução dos meios fiduciários desde outubro de 2008. O que são meios fiduciários, a importância de sua mensuração e o porquê dessa data específica serão explicitados a seguir.
A criação de meios fiduciários — explicando o básico
Um aumento geral e contínuo nos preços dos bens e serviços de uma economia — incluindo-se aí o fenômeno da formação de bolhas (as mais conhecidas são aquelas que se formam na bolsa de valores e no mercado imobiliário) — é um fenômeno que só pode ser mantido se houver um processo de contínua expansão do crédito. Isto é, se houver a criação e o subsequente empréstimo de dinheiro por meio do sistema bancário, o qual opera com a sanção e o apoio do Banco Central.
Expansão do crédito é um fenômeno que depende de dois conceitos relacionados à moeda: dinheiro padrão e meios fiduciários. (Embora o que eu vá explicar abaixo seja extremamente básico para quem já é iniciado no assunto, vale a pena fazer o esforço de acompanhar o raciocínio).
O dinheiro padrão é o dinheiro físico propriamente dito: as cédulas e moedas metálicas, ambas as quais constituem o meio de pagamento final. Isto é, elas não precisam ser trocadas por nenhum outro instrumento de pagamento; elas por si só já representam o pagamento final.
Além das cédulas e moedas metálicas, uma outra variável que também é considerada dinheiro padrão são osdepósitos compulsórios que os bancos são obrigados a manter depositados junto ao Banco Central. O compulsório representa uma porcentagem do total dos depósitos em conta-corrente que os bancos têm de manter como reservas à parte, e eles podem fazer isso tanto na forma de encaixes (dinheiro em seus cofres) quanto na forma de depósitos junto ao Banco Central. Trata-se de um mecanismo de controle da expansão monetária. (Caso não esteja familiarizado com o tema, leia mais detalhes aqui, na seção "O Compulsório").
Quanto menor for o porcentual do compulsório, maior será a quantidade de dinheiro que os bancos podem criar via empréstimos. Os bancos criam dinheiro (eletronicamente) em uma quantia que é inversamente proporcional à taxa do compulsório. No Brasil, o compulsório está atualmente em 32%, o que significa que os bancos podem criar dinheiro no valor de até 3,1 vezes o total de reservas compulsórias (1/0,32).
Funciona assim: João deposita R$ 10.000 em sua conta-corrente no Banco A. João pode até achar que esses R$ 10.000 ficarão ali parados, como um carro em um estacionamento pago, mas não ficarão. Como o sistema bancário é de reservas fracionárias, os bancos mantêm como reservas apenas parte do dinheiro que neles foi depositado. Assim, o Banco A vai guardar uma parte desse dinheiro (digamos, R$ 3.200) e emprestar o restante (R$ 6.800) para José. José vai gastar esse dinheiro de alguma forma, e ele (o dinheiro) inevitavelmente acabará sendo depositado em outro banco, o Banco B. O Banco B vai guardar uma parte desse dinheiro (digamos, R$ 2.176) e emprestar o restante (R$ 4.624) para Antônio, que adotará o mesmo procedimento de José, dando assim continuidade ao ciclo. Ao mesmo tempo em que o dinheiro de João foi sendo "passado adiante", o próprio João continua tendo acesso integral a esse mesmo dinheiro (que é seu), seja emitindo cheques ou utilizando cartão de débito. Dessa forma, os R$ 10.000 iniciais se multiplicaram.
Portanto, se um banco tiver R$ 10 bilhões de reais em depósitos em conta-corrente, ele será obrigado a manter R$ 3.200.000.000 (três bilhões e duzentos milhões) como reservas, tanto na forma de depósitos junto ao Banco Central quanto na forma de encaixes em seus cofres (a soma dos dois deve totalizar 32%). Atualmente, os bancos ficam com 18% na forma de encaixes e 14% na forma de depósitos junto ao Banco Central.
Esses depósitos junto ao Banco Central estão na forma de moeda eletrônica, meros dígitos nos computadores do Banco Central.
E por que então esse dinheiro depositado junto ao Banco Central, que é eletrônico, é considerado também dinheiro padrão? Porque os bancos, quando necessário, sempre podem requisitar ao Banco Central parte desse dinheiro "preso". Nesse caso, o Banco Central, que tem o poder monopolista de imprimir moeda quando quiser, irá simplesmente imprimir (via Casa da Moeda) a quantia necessária e enviá-la (via carro-forte) ao banco demandante. Este poderá utilizar esse dinheiro para colocar em seus cofres ou em seus caixas eletrônicos 24h.
Sendo assim, um banco ter R$ 1.400.000.000 (14% de dez bilhões) depositados junto ao Banco Central é o equivalente a ter essa mesma quantia em seus cofres.
Com isso, temos definido os componentes do dinheiro padrão: a soma das cédulas e moedas metálicas de fato criadas pelo Banco Central (que estão em posse tanto das pessoas e empresas quanto nos cofres dos bancos) mais os depósitos compulsórios eletrônicos que os bancos mantêm depositados junto ao Banco Central. No jargão economicista, isso chama-se base monetária, e está totalmente sob controle direto do Banco Central. É sobre a base monetária que todo o sistema bancário, coordenado e protegido pelo Banco Central, irá criar mais dinheiro eletrônico (via criação de contas-correntes), expandindo a quantidade total de dinheiro na economia.
Em outubro de 2008, a base monetária era de R$ 139,8 bilhões. Em novembro de 2010, ela já estava em R$ 177,8 bilhões. E na primeira quinzena de fevereiro, o valor já era de R$ 186,7 bilhões. (Ignorarei os meses de dezembro e janeiro porque são meses em que a oferta monetária aumenta temporariamente para acomodar as demandas por moeda geradas pelas festas de fim de ano, 13º e afins.)
A esmagadora fatia da base monetária é formada pela variável "cédulas e moedas metálicas", as quais subiram de R$ 99,7 bilhões em outubro de 2008 para R$ 133,1 bilhões em novembro de 2010, e depois para R$ 142,4 bilhões na primeira quinzena de fevereiro (compare esses valores com os valores totais da base monetária nas respectivas datas no parágrafo acima).
A soma dos depósitos compulsórios junto ao banco central mais a fatia dessas cédulas e moedas metálicas que está em posse da rede bancária (em cofres ou em caixas 24h) totalizam, como foi dito acima, as reservas bancárias. Essas reservas são utilizadas para atender aos pedidos daqueles clientes que querem sacar dinheiro, bem como para fazer a compensação de cheques que estão em posse de outros bancos. E é exatamente sobre essas reservas que o sistema bancário de reservas fracionárias cria dinheiro para fazer empréstimos.
Em outubro de 2008, as reservas bancárias eram de R$ 40,1 bilhões. Em novembro de 2010, elas estavam em R$ 44,7 bilhões, voltando a cair para R$ 44,5 bilhões na primeira quinzena de fevereiro.
Esses números já denotam uma anomalia. Normalmente, se a quantidade de dinheiro no sistema econômico aumenta — tanto em termos da base monetária como um todo quanto em termos das cédulas e moedas metálicas —, as reservas bancárias também aumentam na mesma proporção. No entanto, ao passo que a quantidade de cédulas e moedas metálicas aumentou mais de 33% de outubro de 2008 a novembro de 2010 (tal aumento pula para mais de 42% quando se considera fevereiro), o aumento na quantidade de reservas bancárias foi de meros 11% nesse mesmo período.
Essa anomalia é consequência de um fato: em novembro de 2008, como resposta à crise financeira mundial e a consequente contração do crédito, o Banco Central brasileiro reduziu o valor do compulsório de 35% para 26%, liberando um grande volume de dinheiro para os bancos emprestarem e sobre os quais, por meio do processo de reservas fracionárias, criarem mais dinheiro eletrônico. O que nos leva aos meios fiduciários.
Meios fiduciários, para utilizar a definição técnica, são os depósitos bancários que podem ser utilizados como meios de pagamento e que não estão lastreados por dinheiro padrão, seja esse dinheiro alguma commodity como ouro ou simplesmente cédulas de papel-moeda. Ou seja, trata-se da moeda escritural que não tem nenhuma reserva lastreando-a, pois foi criada do nada pelo sistema bancário. Ou, para ficar no popular, é o dinheiro que você utiliza como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos dos bancos junto ao Banco Central. Repetindo: trata-se de um dinheiro sem lastro.
Grande parte da oferta monetária brasileira atual é formada por meios fiduciários na forma de depósitos em conta-corrente. Todas as outras aplicações financeiras (sejam elas depósitos a prazo, renda fixa, curto prazo, multimercado, referenciado, ações etc.) são meros papeis que, para serem convertidos em dinheiro, precisam antes ser vendidos para algum agente obviamente disposto a comprá-los. E este só irá fazê-lo se tiver dinheiro disponível em sua conta-corrente. Portanto, os depósitos em conta-corrente definem, em última instância, a oferta monetária da economia brasileira.
A oferta monetária, portanto, é definida como as cédulas e moedas metálicas em poder do público mais "aqueles substitutos monetários que podem ser redimidos em dinheiro sob demanda e, por meio de cheques ou cartão de débito, funcionam como equivalentes ao dinheiro no mercado".
Traduzindo para o popular, oferta monetária = cédulas e moedas metálicas em poder do público + os depósitos em conta-corrente. Em economês, tal agregado é conhecido como M1.
Na primeira quinzena de fevereiro, o total da oferta monetária brasileira estava em R$ 265,99 bilhões. Ao mesmo tempo, a base monetária estava em R$ 186,68 bilhões. Correspondentemente, o total de meios fiduciários era igual à diferença entre ambos, a qual foi de R$ 79,3 bilhões. Esse valor corresponde ao total de dinheiro eletrônico utilizável como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos dos bancos junto ao Banco Central. É um dinheiro sem lastro.
Todo o dinheiro que os bancos possuem para restituir os depósitos em conta-corrente são as suas reservas, que estavam, como dito, em R$ 44,5 bilhões em fevereiro. Esses R$ 44,5 bilhões eram todo o dinheiro padrão disponível em suas reservas para lastrear um total de R$ 123,8 bilhões em depósitos em conta-corrente — isto é, depósitos igual à soma de R$ 44,5 bilhões + R$ 79,3 bilhões. Em outras palavras, havia 100% de reservas lastreando R$ 44,5 bilhões e absolutamente nada para lastrear R$ 79,3 bilhões, que assim são classificados como meios fiduciários.
E para que estou fazendo essa matemática toda? Simples. Como explicou George Reisman em seu livroCapitalism, a quantidade de meios fiduciários em qualquer momento representa o acumulado total de toda a expansão de crédito ocorrida na oferta monetária do país até aquele momento. Ela representa a soma de todos os empréstimos que o sistema bancário de reservas fracionárias fez baseando-se na criação de dinheiro sem qualquer lastro.
E o principal: a diferença entre a quantidade de meios fiduciários entre dois períodos de tempo representa exatamente a expansão do crédito ocorrida nesse intervalo.
Sendo assim, vejamos.
Em outubro de 2008, um mês antes de o Banco Central diminuir o compulsório, o total de meios fiduciários — diferença entre o M1 e a base monetária — era de R$ 56,1 bilhões. Em novembro de 2010, os meios fiduciários já totalizavam R$ 75,4 bilhões. E aumentaram para R$ 79,3 bilhões na primeira quinzena de fevereiro.
Portanto, a expansão do crédito ocorrida no período de outubro de 2008 a novembro de 2010, em decorrência tanto da redução do compulsório feita pelo Banco Central em novembro de 2008 quanto do aumento da base monetária e consequente aumento da expansão monetária via sistema bancário de reservas fracionárias, foi de34,4% — algo em torno de 1,19% ao mês ou 15,25% por ano.
Se considerarmos o período até a primeira quinzena de fevereiro, então, o aumento total nos meios fiduciários (logo, na expansão do crédito) foi de 41,3% — algo em torno de 1,24% ao mês ou 15,94% por ano. Em termos nominais, isso significa que o sistema bancário de reservas fracionárias criou R$ 828 milhões por mês ou R$ 27,62 milhões por dia.
O gráfico a seguir mostra a evolução dos meios fiduciários desde janeiro de 2002. Vale observar a expansão ocorrida em 2007, seguida da estagnada de 2008, que culminou na recessão de 2009. Observe também o efeito da redução no compulsório ocorrida em novembro de 2008. Por fim, observe que, desde outubro de 2009, os meios fiduciários estão em expansão contínua. (Ignore os solavancos típicos dos meses de dezembro e janeiro).
Expansão dos meios fiduciários

Causas e efeitos
Mas o que, afinal, provocou essa expansão recente dos meios fiduciários (rivalizada apenas pela de 2007)? É claro que a expansão monetária do Banco Central, em conjunto com sua política de redução do compulsório, teve um papel fundamental nisso tudo. O sistema bancário de reservas fracionárias, por sua vez, se encarregou de ampliar os efeitos. Mas houve um outro fato que auxiliou sobremaneira nesse aumento: a postura fiscal extremamente frouxa que vem sendo adotada pelo governo federal desde meados de 2009.
O gráfico a seguir mostra o quanto o governo federal tomou emprestado por mês do sistema bancário nacional.

Veja que, a partir de meados de 2009, o governo federal aumenta sobremaneira a quantidade de recursos que ele toma do setor bancário. Nesse artigo, expliquei que um dos motivos dessa explosão foi a nova política corporativista do BNDES, que passou a conceder empréstimos subsidiados para grandes empresas utilizando dinheiro levantado pelo Tesouro junto aos bancos. No artigo linkado, há os detalhes dessa operação.
Outro motivo desse aumento foram os sucessivos déficits orçamentários que o governo passou a apresentar, consequência do aumento pornográfico dos gastos.
O que importa aqui, no entanto, é entender que o fato de o governo federal aumentar a quantidade de dinheiro que ele pega emprestado junto aos bancos provoca uma expansão da oferta monetária — e, consequentemente, dos meios fiduciários. Como?
Quando o governo federal pega empréstimos junto ao sistema bancário — por exemplo, emitindo títulos públicos —, ele está obviamente sugando dinheiro que poderia ir para investimentos produtivos e gastando-o em benefício de políticos e grupos favorecidos.
Mas além de reduzir a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos para o setor privado, essa postura do governo também faz com que a quantidade de dinheiro disponível para o mercado interbancário (aquele em que os bancos emprestam uns para os outros com o intuito de manter suas reservas compulsórias nos níveis estipulados pelo Banco Central) fique reduzida, pois agora há dinheiro sendo demandado de todos os lados.
Nesse cenário, caso o Banco Central nada fizesse, a tendência seria que a taxa de juros desse mercado interbancário subisse muito. E a taxa de juros do mercado interbancário, como se sabe, nada mais é do que a SELIC. Mas como o Banco Central trabalha com uma meta para a SELIC, ele não pode deixar que ela suba. Consequentemente, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário justamente para evitar que ela aumente muito. E o dinheiro que o Banco Central injeta no sistema bancário vai direto para as reservas bancárias, reiniciando todo o processo acima descrito de expansão da oferta monetária via reservas fracionárias e consequente criação de meios fiduciários.
E assim chegamos a esse fenômeno atual: o governo, incorrendo em grandes déficits, está sugando cada vez mais dinheiro do setor bancário, o que pressiona a SELIC. Consequentemente, o Banco Central tem de injetar cada vez mais dinheiro no sistema bancário apenas para impedir que a SELIC suba muito. Se ele simplesmente reduzir a quantidade de injeções monetárias, a SELIC subirá além da meta.
É assim que, no atual sistema monetário, os déficits do governo são inflacionários.
E é esse arranjo que vem fazendo com que a base monetária, o volume de depósitos em conta-corrente, os meios fiduciários e o volume de crédito cresçam em níveis vertiginosos.
Consequências?
Como explica a teoria desenvolvida pela Escola Austríaca de economia, uma expansão dos meios fiduciários que provoque uma redução na taxa real de juros irá estimular investimentos em projetos de longo prazo, principalmente aqueles empreendimentos que fazem uso mais intenso de bens de capital, como produtos industriais, máquinas e equipamentos. Consequentemente, os preços tanto da mão-de-obra quanto dos equipamentos utilizados nessas indústrias irão subir muito mais rapidamente que os preços de bens de consumo não-duráveis.
Um exemplo claro desse fenômeno, e já descrito aqui há quase um ano, é o da bolha imobiliária brasileira, com o contínuo aumento tanto do preço dos imóveis quanto dos custos dos empreendimentos imobiliários, dos materiais utilizados na construção civil e da mão-de-obra.
Outro exemplo claro pode ser visto no comportamento dos preços dos bens de capital (produtos industriais, máquinas e equipamentos) utilizados na indústria de transformação, os quais apresentaram, como informado no início desse artigo, um aumento acumulado de 14,18% de janeiro de 2010 a janeiro de 2011. Veja o comportamento dos preços no gráfico abaixo:

Observe que a expansão dos meios fiduciários gera um aumento contínuo e sustentado nos preços dos bens de capital a partir de meados de 2006, intensificando-se a partir de meados de 2007, bem de acordo com o gráfico dos meios fiduciários. Esse crescimento atinge o ápice em setembro de 2008, quando a inevitável contração do crédito começa a derrubar os preços desses bens, fazendo inclusive com que eles apresentem deflação acumulada durante o primeiro semestre de 2009. Como também explica a teoria dos ciclos econômicos da Escola Austríaca, quando há uma contração do crédito (isto é, redução abrupta no crescimento dos meios fiduciários), os preços desses setores são os que mais decrescem, podendo inclusive apresentar deflação. (Novamente, veja maiores detalhes dessa ocorrência na economia brasileira nesse artigo).
A partir de meados de 2009, com o forte crescimento dos meios fiduciários, os preços desses bens de capital não apenas voltam a subir, como também sua ascensão é vertiginosa, ainda mais rápida do que a ocorrida em 2006/2007.
E desta vez, ao contrário de 2007/2008, os preços tanto dos bens de consumo não-duráveis quanto dos serviços também vêm apresentando substantiva expansão. Os preços dos alimentos, que subiriam de qualquer forma em decorrência dos fatores climáticos, foram intensificados pelas políticas monetárias expansionistas que estão ocorrendo em escala mundial.
Conclusão
Neste artigo, com a intenção de se evitar prolongamentos desnecessários, não foi discutido o efeito que políticas monetárias expansivas têm sobre a distribuição de renda e sobre o crescimento econômico. Quanto a este último, sempre vale a pena ressaltar que, embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Mais ainda: elas determinam os tipos de bens que serão produzidos, bem como suas quantidades relativas. Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. A única coisa que a inflação e o crédito fazem é provocar uma alteração na valoração de bens, serviços e salários, e uma consequente realocação de recursos.
Os preços no Brasil — não só os dos alimentos — estão em alta. A inflação dos últimos doze meses (fechada em janeiro) apontou aumento de 5,99% para o IPCA, 6,53% para o INPC, 7,41% para o IPC, 11,50% para o IGP-M, 14,18% para o IPA-M e 28,40% para o IPA dos produtos agrícolas.
Essa sopa de siglas é o de menos. O que importa saber é que toda essa inflação de preços está ocorrendo em uma época em que o câmbio está em seu nível mais apreciado da história (o que significa que as importações nunca foram tão baratas). Logo, toda a inflação de preços por que passamos tem três culpados bem definidos: o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o sistema bancário de reservas fracionárias.
Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.
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